
Número de utentes à espera nos cuidados continuados de saúde mental subiu em 2024
Foto: Maria João Gala
As equipas de cuidados continuados integrados (ECCI), que prestam cuidados de saúde e apoio social no domicílio a pessoas dependentes, mas que não precisam de internamento, registaram um aumento de 43% no número de utentes a aguardar vaga, segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que aponta para uma tendência de tempos médios de internamento na rede superiores ao recomendado.
Segundo a monitorização da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) referente a 2024, divulgada nesta quinta-feira pela ERS, a tendência para tempos médios de internamento superiores ao recomendado acontece sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, que apresenta os valores mais elevados nas unidades de convalescença e nas unidades de média duração e recuperação (UMDR).
Os dados indicam que, no final de 2024, aguardavam vaga 1792 utentes, mais 14,7% do que no final de 2022 e menos 0,7% do que no final de 2023. O maior número de utentes em espera (700) concentrava-se nas unidades de longa duração e manutenção (ULDM), dedicadas e internamentos superiores a 90 dias, que registam simultaneamente a mediana de tempo de espera mais elevada, com valores regionais que oscilaram entre 38 dias no Centro e 134 dias no Algarve.
Tempos de espera elevados
Em 2024, os tempos de espera variaram de forma significativa entre tipologias e regiões de saúde, com maiores medianas observadas para as unidades de longa duração (56 dias) e de média duração (47 dias); e menores para as unidades de convalescença (UC) e para as equipas de profissionais que trabalham ao domicílio (14 dias em ambas).
Nas UMDR, a região de saúde do Alentejo apresentou a mediana de espera mais elevada (66 dias) e a região de saúde do Centro a mais baixa (20 dias). Nas UC a mediana do tempo de espera variou entre os sete dias na região de saúde do Algarve e os 20 dias na região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Já nas ECCI, os valores variaram entre os três dias na região de saúde do Algarve e os 20 na região de saúde do Norte.
A ERS sublinha que uma maior demora na identificação de vaga na RNCCI "pode levar a permanências prolongadas e clinicamente desnecessárias em unidades de agudos", ou à alta para o domicílio em casos em que a admissão atempada na RNCCI "seria clinicamente benéfica".
Distância até às unidades
Mais de 90% da população residente em Portugal continental residia a 30 minutos ou menos de uma UMDR (internamentos entre 30 e 90 dias) e de uma ULDM, e 80% da população a 30 minutos ou menos de uma unidade de convalescença (UC), que servem para internamentos curtos, até 30 dias, para recuperação intensiva pós-hospitalar.
Dos utentes internados em 2024, entre 12,8% e 19,6%, consoante a tipologia, estavam a mais de 60 minutos de distância da sua morada de residência e entre 47,3% e 56,4% estavam internados a uma distância igual ou inferior a 30 minutos da sua residência. Os dados indicam que o número de utentes nas UMDR e nas UC diminuiu face ao ano anterior.
Em 2024, aumentou o número de camas contratadas em todas as áreas da rede, com especial destaque para as UC, que cresceram 12%, e para as ECCI, com um aumento de 11,5%. Segundo a ERS, a 31 de dezembro de 2024 a RNCCI tinha contratualizadas 1391 lugares em UC, 3333 em UMDR, 5246 em ULDM e 6712 nas ECCI.
Mais doentes à espera de cuidados de saúde mental
Já o número de utentes a aguardar vaga na rede de cuidados continuados integrados de saúde mental aumentou para 68 no final de 2024, a maioria por uma vaga nas residências de apoio máximo (RAMa) - para pessoas com doença mental grave, clinicamente estabilizadas, mas com dificuldade em viver de forma independente - e nas residências de apoio moderado (RAMo), para desenvolver competências psicossociais e melhorar a qualidade de vida.
Apesar de o maior número de utentes a aguardar vaga nos cuidados de saúde mental ser nestas duas tipologias, a ERS diz que em 2024 baixou o número de utentes à espera de vaga nas RAMa. O número de lugares contratados RAMa de adultos caiu ligeiramente face a 2023, uma tendência que já se tinha verificado no ano anterior.
