
A inalação do fumo dos incêndios tem riscos para a saúde
Rui Silva / ASpress
Crianças, doentes respiratórios crónicos e idosos devem ter especial cuidado nestes dias em que o fumo dos incêndios toma conta do céu. Além do cheiro e das fagulhas que andam no ar, há poluentes invisíveis que provocam danos na saúde. Saiba o que fazer se estiver em zonas perto de incêndios.
As crianças, sobretudo as menores de três anos, requerem uma atenção especial porque tem uma respiração mais rápida do que a dos adultos.
Já os doentes respiratórios, como os asmáticos, devem ter a medicação SOS sempre à mão, explicou, ao JN, Cecília Longo, pneumologista e presidente da associação "Chama Saúde" que estuda há anos os efeitos do fumo dos incêndios na saúde dos bombeiros.
"A inalação de fumos ou substâncias irritantes químicas e o calor podem provocar danos nas vias respiratórias", informou esta semana a Direção-Geral da Saúde (DGS).
A prática de exercício físico ao ar livre não é recomendável
Além das lesões provocadas pelo calor, que podem causar obstrução e risco de infeção, há "possibilidade de lesão pelas substancias químicas do fumo que provocam inflamação e edema com tosse, broncoconstrição e aumento das secreções".
A DGS alerta ainda que podem surgir "lesões mais tardias e mais graves, com destruição celular e, que, em casos extremos, causam falência respiratória".
A ingestão de leite com o objetivo de reduzir os efeitos monóxido de carbono é um mito
Para quem está em zonas afetadas pelo fumo dos incêndios ou com níveis elevados de partículas provocados pelos incêndios, é aconselhável manter-se em casa com as janelas, portas e tampas das lareiras fechadas. Se a temperatura dentro de casa for muito alta e se o ar interior já estiver com fumo deve procurar outro local.
A prática de exercício físico ao ar livre não é recomendável.
Em caso de inalação de fumos, a pessoa deve ser retirada do local rapidamente. Na presença de queimaduras, sinais de dificuldade respiratória e alteração do estado de consciência deve procurar assistência médica. Em caso de emergência ligar 112.
Segundo a DGS, a ingestão de leite com o objetivo de reduzir os efeitos monóxido de carbono é um mito. "Não vem descrito a sua utilidade em artigos científicos", "não se dá leite nos hospitais" e "não deve atrasar a referenciação e o tratamento a nível hospitalar correto".
