
O bebé nasceu no Hospital de Setúbal em outubro de 2019 sem olhos, nariz e parte da face
DR
Rodrigo, o bebé que nasceu com graves malformações, fez três anos esta sexta-feira contra todas as expectativas que lhe davam apenas poucos dias de vida à nascença. Encontra-se bem de saúde, rodeado de família e amigos, como a sua mãe, Marlene Simão, fez saber pelas redes sociais. "Não há palavras para descrever o orgulho que tenho neste miúdo", escreveu a mãe. Os pais de Rodrigo exigem cerca de 300 mil euros no processo de indemnização que já deu entrada no Tribunal de Setúbal.
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O bebé nasceu no Hospital de Setúbal em outubro de 2019 sem olhos, nariz e parte da face, malformações que não foram detetadas durante a gravidez da mãe pelo obstetra Artur de Carvalho na clínica Eco Sado, onde foi seguida.
Os pais de Rodrigo exigem cerca de 300 mil euros no processo de indemnização que já deu entrada no Tribunal de Setúbal.
Agem em nome deles e do próprio filho contra o médico e a clínica Eco Sado. É previsto que no espaço de um mês, o obstetra apresente a sua defesa. Depois, as partes devem encontrar-se em tribunal perante o juiz para decidir se há um acordo ou se o processo segue para julgamento.
Em causa estão danos morais causados aos pais e ao bebé, tendo em conta o sofrimento que este sente e que vai ter ao longo da vida, por um lado devido à falta de autonomia e independência e por outro, à própria imagem, devido às mal formações com que nasceu e que vão causar danos na auto estima ao longo da vida. Invocam também danos patrimoniais, como os gastos que os pais têm no tratamento que o bebé necessita fora do Serviço Nacional de Saúde.
Pais ajudam a PJ
Rodrigo continua a ser acompanhado pelo SNS, no Hospital de Setúbal e na Estefânia, onde é seguido em várias especialidades.
Na investigação criminal à clínica Eco Sado por fraude ao Serviço Nacional de Saúde, os pais de Rodrigo estão a ajudar a Polícia Judiciária de Setúbal. Fazem parte do rol de 40 testemunhas que a investigação já ouviu, todas grávidas que foram atendidas nesta clínica, julgando que possuía convenção com o Serviço Nacional de Saúde, o que não se verificava. O inquérito permanece em investigação sem arguidos constituídos.
Artur de Carvalho viu o Ministério Público arquivar o processo crime contra ele, tendo em conta que não foi o causador das mal formações e que estas não podiam ser evitadas se fossem detetadas a tempo. Os pais de Rodrigo não recorreram.
O obstetra Artur de Carvalho reformou-se depois do caso. Era diretor de obstetrícia no Hospital de Setúbal e não mais voltou a exercer. A Ordem dos Médicos expulsou-o e proibiu-o de exercer a profissão.

