
Associação Candeia "abriu portas, intermediou o processo" e permitiu a esta família da Lourinhã crescer
Carlos Alberto/Global Imagens
Pedido foi feito em fevereiro do ano passado e a menina já vive com "a mãe Daniela", o pai Sérgio e a irmã Sara" desde junho.
Nem a pandemia, nem o confinamento travaram o desejo de Inês, 12 anos, de viver com uma família, e a vontade do casal Daniela e Sérgio de acolherem uma criança que vivia numa instituição. O processo, iniciado em fevereiro de 2020, na Segurança Social de Lisboa, está longe de estar concluído. No entanto, desde junho deste ano que Inês vive com "a mãe Daniela, 28 anos, o pai Sérgio, 27 anos", e a mana Sara, de três anos, na Lourinhã.
"O nosso objetivo é fazer o apadrinhamento civil da Inês, mas, por enquanto, o tribunal atribui-nos a medida de Confiança a Pessoa Idónea", disse, ao JN, Daniela Pina. O desejo de acolher ou adotar uma criança fez com que o casal procurasse informações junto da Associação Candeia, que tem o projeto Amigos para a Vida, e foi esta entidade que, de acordo com Daniela, "abriu portas e intermediou o processo".
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O apadrinhamento parou dias depois de ter começado. "No início da pandemia, parou tudo, mas deu para perceber que não é fácil fazer apadrinhamento civil em Portugal", refere a mãe. "Era suposto haver uma bolsa de candidatos e uma lista de crianças, mas, se a bolsa existe, não funciona, porque, em Lisboa, só havia duas crianças candidatas ao apadrinhamento", recorda.
Acolheram crianças
A persistência da família, para além das questões "burocráticas", teve que lutar contra o parecer técnico que entendia que Daniela e Sérgio eram "muito jovens" para apadrinhar.
Enquanto o processo de Inês decorria, a família acolheu temporariamente duas irmãs, que viviam numa instituição. No meio de um surto de covid, as irmãs tinham teste negativo e era preciso retirá-las da casa onde viviam. As meninas foram acolhidas na Lourinhã e, no Natal, mais duas crianças passaram as festas com o casal.
Com Inês, o contacto foi decorrendo mais online do que presencial. Mesmo assim, a menina passou alguns fins de semana com a nova família. Só depois de terminar o ano letivo na escola que frequentava, em Lisboa, é que Inês se mudou para a nova casa. "Está tudo a correr muito bem. A Inês decidiu chamar-nos mãe e pai e todo o processo está a decorrer de forma muito natural", não só com o casal, mas também com os novos avós, tios e primos.
Sara, a filha biológica, sabia que ia ter uma irmã e fez questão de contar no infantário. "Toda a gente achava que eu estava grávida e tive que explicar que a irmã, afinal, já era crescida", brincou a mãe. "Apenas por questões legais, o Tribunal ainda não nos atribui o apadrinhamento civil, mas sabemos que é uma questão de tempo", frisa Daniela Pina.
Legalmente, o apadrinhamento termina quando a criança completa 18 anos. No entanto, entretanto, "já se criaram laços de amor para toda a vida".
Agora, é tempo de matricular Inês numa nova escola e tratar de coisas "tão básicas" como conseguir que a encarregada de educação da menina deixe de ser a psicóloga da instituição onde vivia e passe a ser um dos elementos do casal.
A relação com a família biológica tem que ser mantida e os "padrinhos" devem garantir contacto com os elementos indicados pela menor como sendo os mais próximos.
"Noto, pela Inês e pelas crianças que acolhemos, que todas têm uma necessidade muito grande de viver em família e, se existem famílias que querem acolher as crianças e se existem crianças que não querem viver em instituições, não se percebe por que é que não há mais apadrinhamentos e adoções", finalizou Daniela Pina.
