
Fábio Alves Teixeira é enfermeiro e fora nomeado coordenador de uma estrutura do setor das energias renováveis
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A nomeação e posterior afastamento, em menos de uma semana, do jovem enfermeiro Fábio Alves Teixeira como coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER) levou o PS a pedir a audição no Parlamento do secretário de Estado da Energia, Jean Barroca.
"A história continua mal explicada", justificou à agência Lusa o deputado socialista Pedro Vaz, que justificou a chamada de Jean Barroca com o facto de o governante ter sob sua alçada "a delegação de poderes no âmbito da EMER".
Pedro Vaz referiu que o depoimento do secretário de Estado na Comissão Parlamentar de Ambiente e Energia do secretário de Estado Adjunto e da Energia servirá para saber se Barroca "teve conhecimento, validou e concordou" com a escolha de Fábio Alves Teixeira.
Além de Jean Barroca, o PS também quer ouvir Manuel Nina, presidente da EMER, "porque é o principal responsável e para ambos explicarem" os contornos da nomeação.
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"O presidente da EMER fez declarações públicas a dizer que a pessoa reunia os conhecimentos técnicos suficientes para o desempenho das funções, o que manifestamente não é correto", referiu Pedro Vaz.
Apesar das críticas gerais, o PS defendeu a ministra do Ambiente e Energia, lembrando que Maria da Graça Carvalho "esteve bem e fez o correto" ao exigir a demissão do novo responsável da Estrutura de Missão, o que veio a acontecer.
Governo contra
O despacho de nomeação de Fábio Alves Teixeira, 29 anos, para coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis foi publicado em Diário da República no passado dia 9. No texto, foi declarado que o enfermeiro possuía "currículo académico e profissional que evidencia o perfil adequado e demonstrativo da aptidão e experiência profissional necessárias para o desempenho das funções".
O Ministério do Ambiente e Energia disse ao JN que a ministra Maria da Graça Carvalho não só não teve conhecimento prévio da nomeação como discordou com a mesma quando dela soube. "Sendo professora e investigadora na área da Energia, nunca poderia concordar com a designação para uma estrutura tão específica e vital como a EMER de um profissional que não fosse da área", referiu.
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Ecos
IL chama Manuel Nina
Tal como o PS, também a Iniciativa Liberal quer explicações no Parlamento, em particular de Manuel Nina, presidente do EMER 2030, e do próprio Fábio Alves Teixeira, o polémico demissionário coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis.
Experiência
Ao JN, Manuel Nina afirmou que a escolha de Fábio Alves Teixeira se baseou na sua "comprovada qualificação e relevante experiência profissional ligada à gestão de projetos e procedimentos".
PSD indignado
O PSD, partido que partilha o Governo com o CDS-PP, foi crítico da nomeação. "Não deveria ter entrado, entrou. Tem que sair, ponto", protestou o deputado social-democrata Bruno Vitorino.

