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O PSD afirmou, esta sexta-feira, que a escola pública se tornou "propriedade privada" do PS, do PCP e do BE num debate em que o ministro da Educação acusou a oposição de ter uma visão "bafienta e retrógrada" do ensino.
"Este é o Ministério que o PS entregou à extrema-esquerda e a um dirigente sindical obedientemente comunista para poder sobreviver politicamente", disse o deputado social-democrata Amadeu Albergaria, numa alusão ao secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira.
O debate parlamentar, realizado esta sexta-feira a pedido do Bloco do Esquerda, pretendia contribuir para uma análise dos investimentos necessários na escola pública, sem se ficar pela mera troca de acusações, como havia explicado à agência Lusa na véspera a deputada Joana Mortágua.
Porém, o PSD considerou estar em cena "uma peça de teatro" e "um exercício de hipocrisia" política, acusação retorquida pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, durante a intervenção no plenário.
Confrontado com as questões da oposição sobre a falta de funcionários e de condições nas escolas, Tiago Brandão Rodrigues afirmou tratar-se de "hipocrisia política" de quem cortou 70% das obras das escolas e não investiu durante cinco anos.
Tanto BE, como PCP defenderam iniciativas que aprofundem a gestão democrática das escolas, nomeadamente através de órgãos colegiais com maior representatividade da comunidade, o que levou o deputado do PSD Amadeu Albergaria a afirmar: "Os senhores não querem cidadãos que pensem pela própria cabeça, o que querem é trazer a vossa ideologia para dentro da escola".
A reação levou a deputada do PEV Heloísa Apolónia e o próprio ministro a afirmar que o PSD se "arrepia quando fala de democracia".
Joana Mortágua desafiou o PSD a avançar com a verba que considera necessária no próximo orçamento para resolver os problemas da escola pública: "Nós cá estaremos para fazer esse debate".
No final, foi a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra leitão, a responder com um balanço de medidas de investimento na escola pública tomadas pelo atual Governo, o que mereceu fortes aplausos das três bancadas que compõem a atual maioria política: PS, PCP e BE.
A governante referiu a vinculação extraordinária de 3.400 professores, os concursos e renovações de contratos para assistentes operacionais e o processo para criar no futuro um grupo de recrutamento de docentes de língua gestual portuguesa, bem como pagamento atempado, "pela primeira vez em cinco anos" ao ensino artístico.
