
Há mais portugueses contra a reforma laboral do que a favor
Carlos Carneiro
Uma sondagem realizada pela Pitagórica para avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade e as eleições presidenciais, que reuniu mil entrevistas efetivas, revela que apenas 37% dos portugueses concordam com o anteprojeto de reforma laboral proposto pelo Governo. A maioria dos inquiridos (51%) diz ter um conhecimento parcial sobre a proposta e os eleitores do PS são os que claramente rejeitam a reforma.
Realizada entre 11 e 19 de dezembro, a sondagem da Pitagórica para o JN/TSF e TVI/CNN Portugal colocou três questões relacionadas com a polémica reforma laboral. Se 18% afirmaram conhecer muito bem a proposta do Executivo, a maioria, 51%, disse conhecer mais ou menos; enquanto 18% conhecem muito mal e 12% não a conhecem de todo. Entre os 51% que conhecem parcialmente o pacote ainda em negociação, as mulheres estão em maioria (54%), tal como os jovens entre os 18 e 24 anos (57%), e residem maioritariamente no Norte e Centro (53%).
Questionados sobre se Portugal precisa da reforma laboral, a maioria dos inquiridos respondeu que não (26%), enquanto 23% consideram que esta é necessária, mas noutra direção. Apenas 16% consideram que o país precisa muito da reforma e 21% que precisa um pouco. O bloco de inquiridos que rejeitam este pacote laboral é de 49%, enquanto os que concordam são 37%.
Entre os que rejeitam a necessidade de alterar as leis do trabalho, há uma maioria expressiva de inquiridos que votaram no PS nas últimas eleições legislativas (48%), sendo também eleitores socialistas 20% dos que consideram que esta é necessária, mas noutra direção. Apenas 10% dos que rejeitam a necessidade de reforma votaram na AD e 17% no Chega.
Candidatos devem falar
A maioria dos inquiridos (59%) defende que os candidatos às presidenciais de 18 de janeiro devem dar a conhecer claramente a sua posição sobre a reforma do Código do Trabalho proposta pelo Executivo - maioritariamente mulheres (62%). Há ainda 14% que entendem que os candidatos devem pronunciar-se, mas só de forma geral, sem compromissos fechados antes de ser conhecido o texto final da proposta.
Para 11% dos inquiridos, os candidatos na corrida à Presidência devem pronunciar-se apenas no final do processo legislativo, de modo a não interferirem no debate do Governo e Parlamento. Outros 11% são mais categóricos e entendem que não, que este tema não devia ser central nas eleições presidenciais. Também no âmbito desta questão, a maioria dos que querem conhecer a posição dos candidatos presidenciais sobre a reforma laboral votaram no PS nas últimas legislativas (66%).
Dados sobre a reforma laboral
Reunião adiada
A reunião negocial entre a CGTP-IN e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, agendada para hoje, foi adiada para o próximo dia 14, anunciou o Governo.
Manifestação dia 13
A CGTP-IN marcou para o dia 13 deste mês uma manifestação que culminará na entrega, ao Governo, de milhares de assinaturas de portugueses que rejeitam a reforma laboral.
100
Alterações
O anteprojeto da reforma laboral propõe a alteração de mais de 100 artigos da lei.

