Sondagem diária: Dois terços dos portugueses "jamais votariam" em Ventura. Votos nulos e brancos em alta, com Seguro em perda
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto
Ao quarto dia da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, António José Seguro (57,8%) já acumula uma perda superior a três pontos percentuais. Mas continua com uma confortável vantagem de trinta pontos sobre André Ventura (27,3%), que, por sua vez, mantém uma taxa de rejeição muito elevada: dois terços dos eleitores "jamais votariam" no líder do Chega para presidente da República. Em linha com estes resultados, nove em cada dez inquiridos aponta o ex-líder socialista como o provável vencedor das eleições presidenciais.
Com a amostra da "tracking poll" completamente renovada relativamente ao primeiro dia, já é possível observar algumas tendências na campanha para a segunda volta. E as notícias não são favoráveis a Seguro, que tem agora (57,8%) menos três pontos do que a 26 de janeiro (60,9%). Sendo que a queda coincide com os ecos do seu único frente a frente com Ventura nas televisões. Sucede que o líder do Chega não é o principal beneficiário das hesitações dos eleitores. E também não houve alterações na percentagem de indecisos, que permanece estável (7,5%). É sobretudo para os votos brancos e nulos (7,4%) que parecem dirigir-se os que "abandonam" o socialista.
Nada disto põe em causa, por enquanto, o favoritismo de Seguro na corrida a Belém. Para além de manter uma vantagem que parece inultrapassável (trinta pontos), a sua taxa de rejeição é bastante reduzida: apenas dois em cada dez eleitores afirmam que "jamais votariam" no ex-secretário-geral do PS. Ao contrário, qualquer ambição de Ventura é limitada pelos dois terços que nunca lhe entregariam o voto.
Quatro em cada dez eleitores de Cotrim estão indecisos ou votam nulo/branco
É verdade que o líder do Chega segura melhor o seu eleitorado da primeira para a segunda volta (96,7%), mas é o socialista que revela maior capacidade de atrair os eleitores dos candidatos já eliminados: 72,4% dos que escolheram Henrique Gouveia e Melo; 68,4% dos que votaram em Marques Mendes; e 47,2% dos que optaram por João Cotrim Figueiredo.
Note-se, por outro lado, que quatro em cada dez eleitores do eurodeputado liberal (que ficou em terceiro lugar na primeira volta), ou estão indecisos, ou apontam para um voto branco/nulo. É a maior fatia de eleitorado em disputa nesta altura: um número de eleitores que poderia ser suficiente para Seguro arrancar uma vitória por goleada; ou para Ventura ultrapassar a barreira dos 30 pontos percentuais, que lhe dariam uma dimensão eleitoral semelhante à de Luís Montenegro, nas legislativas de maio do ano passado (31,2%).
Se tivermos em conta a transferência de votos entre as legislativas e a segunda volta das presidenciais, o líder do Chega consegue captar 14% dos eleitores da AD. Seguro fica com 63,1%, mas cerca de dois em dez (22,9%) dos que votaram em Montenegro, ou estão indecisos, ou apontam para o voto branco/nulo. Seguro capta 88,6% dos votos no PS e Ventura 92,3% dos votos no Chega.
Quebra de Seguro é maior nas mulheres, nos mais velhos e nos que vivem em Lisboa
Na análise aos diferentes segmentos da amostra (género, idade, classe social e geografia), percebem-se um pouco melhor algumas das alterações no perfil do eleitorado de cada um dos candidatos e, em particular, onde é que as perdas de Seguro são mais severas.
Na comparação entre o primeiro e o quarto dia da sondagem diária, o socialista perde mais onde tinha arrancado com mais força: entre os que têm melhores rendimentos são menos três pontos percentuais (ainda que a vantagem sobre Ventura seja de 48 pontos percentuais); entre as mulheres perde cinco pontos (vantagem superior a 40 pontos); entre os mais velhos baixa quase seis pontos (vantagem de 40 pontos sobre o líder do Chega); e em Lisboa aproxima-se de uma quebra de sete pontos (tem mais 35 pontos que Ventura). Seguro só melhora a intenção de voto entre os mais jovens (mais três pontos) e entre os que vivem no sul e nas ilhas (mais dois pontos).
Se o ângulo de análise forem as oscilações de Ventura, percebe-se que, apesar de manter uma forte marca masculina, há uma aproximação entre os dois géneros: a diferença entre eles e elas passou de 14 para nove pontos percentuais; no que diz respeito à idade, está em perda entre os mais jovens, mas reforça posições nos 35/54 anos (35,3%); ganha três pontos entre a classe média, mas perde espaço entre os mais ricos; e, finalmente, acrescenta quase quatro pontos no Norte, mas perde cinco no sul e nas ilhas.
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (27, 28 e 29 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma subamostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1261 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,22%. A distribuição de indecisos (quando indicada) é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

