Sondagem diária: Seguro sobe há quatro dias, almirante cai há três e está em perigo. Três décimas entre Cotrim e Ventura. Mendes está fora
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pnto
António José Seguro (23,9%) já leva mais de três pontos de vantagem sobre João Cotrim Figueiredo (20,8%), mas este soma apenas mais três décimas do que André Ventura (20,5%), de acordo com a nona entrega da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Henrique Gouveia e Melo (15,2%) e Luís Marques Mendes (13,2%) continuam em declínio, ao ponto de o social-democrata estar, nesta altura, fora da corrida. Há um empate técnico a três (Seguro, Cotrim e Ventura) na luta pelo primeiro lugar, e a quatro (junta-se o almirante) no que mais importa, a passagem à segunda volta.
A "tracking poll" tem sido muito contestada, nos últimos dias, já não apenas pelas candidaturas cujos resultados não são os esperados, mas também pela bolha mediática das redes sociais. O principal argumento é o de que uma alteração diária, mesmo que de um ponto percentual, não tem significado estatístico. Seria um argumento razoável, se não fossem disponibilizados, todos os dias, todos os resultados. Ou seja, a qualquer leitor (e ainda mais a analistas alegadamente atentos aos fenómenos sobre os quais produzem opiniões tão assertivas), são disponibilizados os dados que permitem medir as tendências, a informação mais importante de uma sondagem diária de intenção de voto.
Diferença entre os cinco primeiros passou de 3,9 para 10,7 pontos
E que tendências são visíveis, até agora, nesta sondagem diária? Desde logo, que a competitividade destas eleições se vai reduzindo. Entre o primeiro dia (5 de janeiro) e o dia mais recente (13 de janeiro), a diferença entre os três primeiros passou de 0,3 décimas para 3,4 pontos percentuais; a dos quatro primeiros era de 1,3 pontos percentuais e passou para 8,7 pontos; e a dos cinco primeiros, que começou em 3,9 pontos já vai nos 10,7 pontos.
A primeira vítima desta evolução dos acontecimentos foi Marques Mendes, que esteve vários dias em empate técnico (se considerarmos quem tinha hipóteses de passar à segunda volta) e está nesta altura fora dessa luta, mesmo tendo em conta que a margem de erro é de mais ou menos 4%: o patamar máximo a que pode aspirar é aos 15,9%, o que é inferior ao patamar mínimo, quer de Cotrim (17,5%), quer de Ventura (17,2%). O ex-líder social-democrata perde um pouco mais de dois pontos desde o arranque da sondagem diária, mas se tivermos apenas em conta os quatro dias seguidos de declínio, já são quase quatro pontos.
A próxima vítima desta distensão nas intenções de voto entre os cinco primeiros (se o rumo se mantiver, porque pode simplesmente inverter-se nos próximos dias), poderá ser Gouveia e Melo, que já só se mantém em empate técnico na luta por um lugar na segunda volta por cerca de um ponto percentual (o seu patamar máximo é de 18,1%). O almirante na reserva é o candidato que perde mais pontos (quatro) desde o arranque do barómetro e está há três dias em queda.
Carregue nos candidatos para saber os resultados
Seguro vai eliminando adversários e cimentando a sua liderança
Ao contrário, há um candidato que se foi sempre destacando pelas tendências positivas. Apesar das ligeiras oscilações (ao ponto de Ventura ter conseguido arrebatar a liderança durante dois dias), Seguro acrescentou quase cinco pontos percentuais, relativamente ao arranque, e está há quatro dias a acumular ganhos. Mendes e o almirante já não seriam uma ameaça, se as eleições fossem hoje, e os resultados nas urnas fossem semelhantes ao da sondagem, mas não é ainda o suficiente para se dizer que tem assegurada a segunda volta: o seu patamar mínimo (20,4%) é inferior ao máximo de Cotrim (24,1%) e Ventura (23,8%).
O liberal é o segundo candidato com maior crescimento ao longo destes nove dias (no total serão 12 entregas, com a última prevista para a próxima sexta-feira): já subiu quase três pontos, mas estagnou nos últimos dois dias. E ainda está por saber que impacto terá, quer a acusação de assédio sexual, quer o "apoio" a Ventura, que o obrigou, esta terça-feira, a um ato de contrição. Quanto ao líder do Chega, cresce um pouco mais de ponto e meio em nove dias, mas na verdade oscila em redor da casa dos 20% nos últimos sete dias, destacando-se pela estabilidade na intenção de voto.
Esquerda cada vez mais anémica e Mendes fora da lista de favoritos
Finalmente, e no que diz respeito aos restantes candidatos, e em particular aos três mais à Esquerda, arrancaram mal (soma de 7,5 pontos percentuais) e foram perdendo décima a décima até aos atuais 5,2 pontos, o que os torna irrelevantes: a bloquista Catarina Martins lidera este pelotão, com 2,5%, seguindo-se o comunista António Filipe, com 1,4%, e o deputado do Livre Jorge Pinto, com 1,3%. Fecha a tabela, com 1%, Manuel João Vieira.
Outro indicador da sondagem diária que sofreu uma grande alteração é o dos nomes que são apontados como favoritos para passar à segunda volta. Marques Mendes partiu, a 5 de janeiro, com uma grande vantagem sobre os outros (32%), mas foi caindo paulatinamente para os atuais 16%. André Ventura, de novo num registo de grande estabilidade, passou de 22% para os 24%, enquanto António José Seguro começou nos 11%, para estar agora também com 24%.
Seguro tornou-se mais masculino e Ventura ganhou nas mulheres
Quando se analisam os diferentes segmentos da amostra (género, idade, classe social, geografia e voto partidário), verifica-se que há tendências que se mantiveram, mas também que o decorrer da campanha foi provocando algumas alterações. Desde logo no género. O equilíbrio de género de Seguro desfez-se nos últimos dias, para ter agora um acentuado peso masculino. O socialista lidera entre os homens (24,6%), destronando sucessivamente Cotrim e Ventura, sendo que o líder do Chega fica em primeiro entre as mulheres (18%), mesmo que com escassas duas décimas de vantagem sobre Seguro.
No que diz respeito às faixas etárias, o ex-secretário-geral do PS parece ter conseguido quebrar a resistência dos mais jovens, mas os mais velhos (55 anos em diante) continuam a ser o seu principal pilar: segue com 28,6%, mais sete pontos do que no arranque da sondagem diária e uma vantagem de quase 12 pontos sobre o segundo, Gouveia e Melo (17,1%). O domínio dos 18/34 anos por parte de Cotrim Figuiredo não se quebra (27,3%), com seis pontos de vantagem sobre Ventura, que por sua vez recupera a liderança nos 35/54 anos, embora com menos de um ponto de vantagem sobre o liberal.
Cotrim reina entre os mais ricos, Ventura lidera entre os mais pobres
Se o ângulo for o das classes sociais, mantém-se a tendência de Cotrim e Seguro terem mais apoio à medida que os eleitores têm melhores rendimentos, sendo isso particularmente evidente no caso do liberal (um fosso de 15 pontos percentuais entre o que consegue nos mais pobres e nos mais ricos). Da mesma forma, Ventura e Gouveia e Melo vão melhorando à medida que o eleitorado fica mais pobre, com destaque para o líder do Chega (uma diferença de 14 pontos entre os dois extremos).
A subida gradual de Seguro na intenção de voto em geral também contribui para que lidere em cada vez mais regiões: a única exceção, nesta altura, é a região da Grande Lisboa, uma vez que aqui é Cotrim que continua a reinar (26,5%), com uma vantagem de 11 pontos sobre o socialista. No Norte, Seguro consegue 22,6% (três pontos de vantagem sobre o liberal); no Centro lidera com 18,5% (mais dois pontos que Gouveia e Melo) e no resto do país, que corresponde grosso modo ao sul e às ilhas, segue com 24,3% (dois pontos acima de Ventura).
Eleitores da AD desistem de Mendes e dispersão é cada vez maior
Foi com uma grande dispersão entre o eleitorado da AD que arrancou esta "tracking poll", e é assim que continua, até com tendência para se agravar. Ao ponto de Marques Mendes já ficar um pouco abaixo dos três em cada dez eleitores de Montenegro nas legislativas (28,5%), com dois em cada dez a fugirem para Cotrim e mais do que um em cada dez a seguirem para Seguro e para Gouveia e Melo.
Relativamente aos eleitores do PS, confirma-se, ponto a ponto, a capacidade de Seguro os ir convencendo (55,9%), embora continue a ter em Gouveia e Melo um rival de peso (conquista dois em cada dez eleitores socialistas). A fidelização dos eleitores do Chega relativamente a Ventura também se vai acentuando (74,4%), com a ameaça mais séria a chegar de Cotrim (atrai um em cada dez eleitores das legislativas).
Finalmente, outra tendência relevante é a da queda gradual no número de indecisos: apesar de algumas oscilações, arrancou a 5 de janeiro nos 13,7% e está agora no seu ponto mais baixo: 10,4%. Mas há diferenças, em particular entre homens e mulheres (mais seis pontos percentuais entre elas). Entre os mais indecisos estão também os mais velhos (11,4%), os que vivem no sul do país (13%) e os que têm menores rendimentos (10,9%).
Tracking poll: Sondagem diária até 16 de janeiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 16 de janeiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, sempre às 20.30 horas, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha Técnica
Durante 3 dias (10, 11 e 12 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1201 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 50,62%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

