Validação do líder não vai calar Passos se objetivo for refundar a Direita

Relação entre Pedro Passos Coelho e Luís Montenegro foi próxima, mas deteriorou-se nos últimos anos
Foto: Miguel A. Lopes/LUSA
Visto como uma forma de validar a sua liderança, o desafio que Luís Montenegro lançou a Passos Coelho para que dispute as diretas do PSD em maio parece não assustar os sociais-democratas no curto prazo. Não acreditam que o ex-líder vá a jogo, mas a preocupação quanto aos seus planos para o futuro cresce à medida que vai somando intervenções críticas, seja para reclamar rapidez nas reformas prometidas, criticar a nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna ou defender acordos de regime com o Chega e a IL. Aliás, esta aproximação que Passos preconiza será, segundo o politólogo Miguel Ângelo Rodrigues, a base para a sua estratégia de refundar a Direita.
Na tentativa de legitimar o rumo que definiu, Montenegro propôs, no Conselho Nacional, que as diretas se realizem em maio para que "não haja qualquer dúvida". E exortou quem defende um "caminho diferente e alternativo" a apresentar-se. Embora sem referir o seu nome, o repto foi para Passos que, após as presidenciais, tem apertado o cerco ao Governo.

