Ventura antecipa desistências a favor de Seguro e denuncia fraude ao eleitorado

O candidato às eleições presidenciais, André Ventura
Foto: Marcos Borga/Lusa
André Ventura considerou, esta sexta-feira, que a desistência dos candidatos de esquerda aumentaria a probabilidade de António José Seguro passar à segunda volta das presidenciais, mas defendeu que caso isso aconteça na véspera das eleições será "uma fraude".
"Todos os sinais indicam que haverá desistências à esquerda, dada a muito baixa votação com que está António José Seguro, perante os números de quase todas as sondagens, e a necessidade que o PS tem de ter um candidato na segunda volta", antecipou o candidato presidencial apoiado pelo Chega.
Em declarações aos jornalistas, depois de entregar cobertores no Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA), em Lisboa, André Ventura admitiu que não ficaria admirado se António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (apoiada pelo Bloco de Esquerda) e Jorge Pinto (apoiado pelo Livre) desistissem a favor do antigo secretário-geral socialista, o que aumentaria a "probabilidade" de Seguro passar a uma segunda volta.
"Acho que Jorge Pinto é o mais provável, Catarina Martins hoje disse que não, mas também não era a primeira vez que dizia uma coisa, depois fazia outra. [...] A única coisa que acontece aqui é que isto é uma fraude ao eleitorado. Andam em debates, andam em campanha e, depois, chega o dia, dois dias antes, e dizem que afinal não são candidatos", salientou.
Na opinião do líder do Chega, "os candidatos que vão desistir deviam assumir agora que não vão avançar e não deixar isso para os últimos dias".
"Compreendo que a esquerda queira levar alguém de esquerda à segunda volta, isso a mim não me choca, mas assumiam e assumiam-no agora, não iam participar em debates, em campanha, obrigar-vos a todos a fazer a cobertura da campanha eleitoral [...]. Acho que isto não é correto, e isto não é justo", avaliou.
André Ventura defendeu que eventuais desistências é uma questão que "não se coloca muito" à direita.
"Acho que vamos ter uma fragmentação controlada à direita, no sentido entre os votos do Chega, os votos do PSD, os votos da Iniciativa Liberal - talvez com um bocadinho mais -, e penso que essa vai ser a dispersão. Se isto vai favorecer alguém? Não sei, eu sinto que sou o que têm o eleitorado mais, digamos assim, seguro do voto, e que a grande discussão aqui vai ser se é Marques Mendes ou Gouveia e Melo a passar à segunda volta", previu.
Ainda assim, o candidato presidencial apoiado pelo Chega não retirou António José Seguro "da equação", embora considere que já ficou claro que este "não galvaniza os votos do Partido Socialista".
"Acontece que outro candidato [Gouveia e Melo] lhe retira até uma parte desses votos. Portanto, diria que está na posição mais fragilizada para isso", completou.
Ventura prometeu "trabalhar até ao último dia, até à última hora" para convencer os eleitores a escolherem a sua candidatura em 18 de janeiro.
"Até podia ter 90% [nas sondagens]. Eu ia continuar a andar na rua a tentar convencer as pessoas que sou o melhor candidato para ir à segunda volta das presidenciais e, depois, para tentar vencer", acrescentou.
Ventura acredita que a campanha presidencial "seria completamente diferente" se não tivesse avançado, congratulando-se por ter colocado na agenda temas, como a segurança ou a imigração, que não estariam se o Chega não tivesse apresentado um candidato.
