
A Figueira da Austrália, nos Jardins da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, ganhou edição anterior
Foto: Hugo Pinheiro/Árvore do Ano
Sáo dez os exemplares que concorrem a Árvore do Ano em Portugal. Aquela que ganhar vai ao "campeonato" europeu.
Desde 2018, por iniciativa da União da Floresta Mediterrânica (UNAC), realiza-se em Portugal o concurso Árvore do Ano. Mais do que eleger o exemplar mais bonito, o mais alto ou o mais antigo, o objetivo passa por sublinhar o papel das árvores centenárias enquanto parte da nossa herança cultural e natural, aponta a organização.
Na edição deste ano, foram nomeados dez exemplares, espalhados pelo país e pelas ilhas. De azinheiras a araucárias, passando por carvalhos e cedros, há árvores com séculos de existência e outras que guardam histórias e lendas locais, tendo um papel essencial para a comunidade que as rodeiam.
Para votar, os participantes deve escolher as duas árvores de que mais gosta na página oficial da UNAC e confirmar o voto através do e-mail recebido. As votações podem ser realizadas até às 16.59 horas desta quarta-feira. A árvore com mais votos - o anúncio da vencedora será no dia 12 - vai representar Portugal no concurso europeu Tree of the Year 2026.
Com mais de 200 anos de história, a Araucária do Parque Terra Nostra, situada nas Furnas, em São Miguel, é uma das árvores mais altas do mundo (52 metros) e já foi testemunha de visitas da realeza e de inúmeros de momentos marcantes que passaram pelo jardim botânico. Ainda nos Açores, em Ponta Delgada, a Árvore da Borracha do Solar dos Cantos, plantada no jardim fundado por José do Canto nos idos de 1850, é um dos exemplares mais emblemáticos, servindo como espaço de aclimatação para várias espécies exóticas.
Em Miranda do Douro, encontra-se a Azinheira Monumental da Póvoa - Guardiã do Planalto Mirandês, com cerca de 410 anos de história. Considerada um símbolo de resistência e de memória coletiva, esta árvore é a mais antiga registada na região e abriga fauna, flora e fungos essenciais para a regeneração do azinhal.
No distrito de Braga encontram-se duas árvores nomeadas. Uma delas é o Carvalho de Calvos, em Póvoa de Lanhoso, com mais de 500 anos, considerado o mais antigo da Península Ibérica. Resistiu a intempéries e a um incêndio, tornando-se um símbolo de força e de memória da região. No Jardim Barroco do Palácio dos Biscainhos ergue-se o Tulipeiro da Virgínia, plantado no século XVIII. Classificado de interesse público desde 2010, serve de refúgio para aves e insetos e simboliza a harmonia entre património, natureza e memória.
Ainda no Norte, em Vila Real, estão localizadas duas árvores emblemáticas. Nos jardins da Casa de Mateus, a Árvore Mãe, com 92 anos, dá origem a novos exemplares a partir dos seus ramos que tocam o chão, tornando-se um símbolo de memória e renovação. Também na região, em Alijó, ergue-se o Cedro do Noval, que com 165 anos é considerada um ponto de encontro, pois é sobre os seus ramos que todas as visitas à Quinta se iniciam.
Em Viseu, na Quinta da Cruz, localiza-se a Árvore do Tanque, um plátano centenário que hoje acolhe atividades culturais e educativas e abriga aves e esquilos no seu tronco. Também na Região Centro, em Coimbra, encontra-se a Canforeira da ESAC, plantada em 1860, entre o campo e a cidade, foi classificada como árvore de interesse público em 1969.
Por último, na Aldeia de Runa, em Torres Vedras, situa-se o Cedro da Igreja, plantado nos anos 1950 pelo Sr. Alfredo. Com cerca de 75 anos, tornou-se um ponto de encontro da comunidade e um símbolo da história e identidade local.
