Preocupação

Associações alertam para retirada incompleta de amianto das escolas

Associações alertam para retirada incompleta de amianto das escolas

A associação ambientalista Zero e o Movimento Escolas sem Amianto (MESA) alertam que a retirada de amianto das escolas está a ser feita de forma incompleta, estando apenas a ser removida as coberturas em fibrocimento, deixando muitos outros materiais com amianto.

Num comunicado conjunto divulgado esta terça-feira, as duas associações alertam que a sinalização de escolas públicas com materiais contendo amianto (MCA) foi feito de forma "muito incompleta" porque o próprio despacho que regulamenta esse levantamento se centra, essencialmente, defendem, na retirada do fibrocimento (telhas), "deixando de fora muitos outros materiais que também contêm amianto e que, assim, permanecem um risco para a saúde de toda a comunidade escolar".

A ZERO garante que questionou os ministérios da Educação e da Coesão Territorial sobre o levantamento dos materiais potencialmente perigosos mas que não obteve resposta. Assim, receiam as duas associações, "as obras que já foram realizadas para a remoção deste material perigoso nas escolas podem ter deixado ficar outros materiais contendo amianto, eventualmente mais perigoso do que o próprio fibrocimento".

"Temos recebido informação de laboratórios que estão nas escolas durante as remoções que encontram outros materiais contendo amianto e que notificam as entidades competentes, sendo que os materiais são retirados ou não mediante disponibilidade financeira" assegura a dirigente Íris Roriz madeira da Zero, insistindo que a associação tem conhecimento de que existem outros materiais com amianto nas escolas, "simplesmente não estão listados".

A associação e o movimento sublinham no comunicado que não compete ao Governo mas sim aos laboratórios identificar esses materiais.

André Julião, do MESA, assegura receber de professores e pais dúvidas sobre os materiais potencialmente perigosos que podem conter amianto.

"Face ao exposto, a ZERO e o MESA estão obviamente preocupados com a resolução deste assunto, considerando que o levantamento deve ser completo de forma a que se possa identificar e gerir os materiais contendo amianto nas escolas. Urge encerrar este tema para que o espaço escolar fique isento deste material tóxico e cancerígeno, deixando finalmente a comunidade em segurança no seu local de trabalho e aprendizagem", lê-se no comunicado.

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Investidos 60 milhões de euros

Confrontado com os alertas das associações, o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues garante "cerca de 90% das escolas identificadas já estão com obra concluída ou em execução e a maioria das demais tem empreitada adjudicada".

De acordo com o ministério da Educação, até final de 2019, no âmbito das requalificações dos edifícios escolares, foram substituídas "mais de 440 mil metros quadrados de coberturas constituídas por placas de fibrocimento em mais de 200 escolas públicas". Desde então, para tentar uma resposta universal, os ministérios da Educação e da Coesão Territorial, em articulação com as comunidades intermunicipais e municípios, fizeram um diagnóstico "da presença de coberturas constituídas por placas de fibrocimento com amianto na sua composição, do qual resultou a publicação da lista de equipamentos escolares ainda a ser intervencionados, totalizando mais de 900. mil metros quadrados de coberturas e correspondendo a um investimento expectável superior de 60 Milhões de euros",

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