Ano letivo

Aulas presenciais para mais novos são prioridade no próximo ano letivo

Aulas presenciais para mais novos são prioridade no próximo ano letivo

Encerramento do ano letivo será assinalado, esta sexta-feira, com o presidente da República e o ministro da Educação, numa escola do Porto.

As reuniões de ontem com os dois secretários de Estado da Educação deixaram mais dúvidas do que certezas aos dirigentes sindicais. Nenhuma proposta escrita foi colocada em cima da mesa sobre o calendário ou as regras de organização do próximo ano letivo. E, por isso, os encontros por videoconferência terão servido essencialmente para auscultar as organizações. Consensual é o desejo de as aulas arrancarem de forma presencial, mas, se a pandemia não o permitir, no próximo ano será dada preferência aos alunos mais novos, até aos 12 anos, em vez de aos do Secundário.

A proposta, aliás, já tinha sido feita anteontem na reunião entre a equipa ministerial e as associações de diretores (ANDE e ANDAEP), de escolas profissionais (ANESPO) e privadas (AEEP). O presidente da Associação de Dirigentes Escolares (ANDE) terá defendido que a prioridade no ensino presencial seja dada aos alunos mais novos, especialmente do Pré-Escolar ao 1.º Ciclo. "São os mais penalizados com o ensino à distância. Foi uma das lições deste período: houve enorme retrocesso neste ciclo, foi muito difícil manter contacto. E só os alunos com apoio das famílias conseguiram progredir", defendeu Manuel Pereira.

Ontem, esta prioridade aos alunos até aos 12 anos (ou seja, até ao 6.º ano), com menor autonomia digital - num cenário em que nem todos poderão ter aulas presenciais - também terá sido defendida pelas organizações, como a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e admitida pelos secretários de Estado, de acordo com Mário Nogueira.

"Há uma grande indefinição"

As associações de diretores terão insistido que é crucial o Governo cumprir a promessa de execução do plano digital para se acautelar novo período de ensino à distância. Às organizações sindicais, os secretários de Estado terão esclarecido que esses equipamentos serão adquiridos e distribuídos de forma faseada. Neste caso, a prioridade serão os "alunos carenciados". À Fenprof terá sido explicado que os aparelhos serão fornecidos às escolas e, depois, entregues pelos alunos, a título de empréstimo, tendo de ser devolvidos no final do ciclo de ensino. O plano também contempla formação para os professores.

"Há uma grande indefinição que era suposto, nesta altura, já não existir", critica Mário Nogueira. Manuel Pereira também pede ao Governo "um plano B" para as escolas se prepararem a organização de turmas e horários. Medidas concretas sobre o calendário ou organização do ano ficaram por esclarecer e as organizações dizem que os professores não sabem como irão cumprir a recuperação das aprendizagens. Contactado, o ME disse que as reuniões pretenderam "recolher contributos".

Prometido reforço de docentes, técnicos e funcionários

A garantia de reforço de professores, técnicos especializados, como psicólogos, e de funcionários terá sido transmitida. O problema, reivindicam organizações e diretores, é que ainda não se sabe quando e como. O dirigente do STOP, André Pestana, garante que lhe terá sido assegurado que, no próximo ano letivo, serão contratados mais 1161 assistentes operacionais e 62 assistentes técnicos. Os diretores asseguram que, se o crédito horário das escolas não for reforçado para que os agrupamentos possam contratar mais docentes, não se conseguirá alargar apoios aos alunos para se recuperar aprendizagens.

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