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André Ventura: Quis ser padre e escreveu romances

André Ventura: Quis ser padre e escreveu romances

Conhecido pelos comentários desportivos, tem uma faceta menos desvendada - André Ventura é romancista.

A estreia ficcional conta a vida de Luís Montenegro - "nome escolhido ao acaso, garanto" -, um ciclista em luta contra o HIV e "a incomensurável estupidez que gera preconceitos dificilmente removíveis", lê-se no site de promoção do livro. Pouco depois, surgem as influências literárias do autor: "filósofos existencialistas franceses, especialmente Albert Camus, mas também Oscar Wilde, George Simenon, Paul Auster, Vergílio Ferreira". E Thomas Mann, "ídolo e mestre".

O livro, inspirado num amigo que teve a doença, e as referências são de 2008. Até essa altura, dificilmente se adivinhava o discurso extremista do candidato. Ventura concorda - "houve uma evolução, é verdade". Questionado sobre se a versão atual é de fachada, explica: "nesses anos, o radicalismo tinha a ver com a descoberta de Deus", pensamento que o aproxima da Opus Dei. "Não sou". Mas até se apaixonar, "quis muito ser padre".

Adepto incondicional de desporto, especialmente de ciclismo (o pai tinha um pequeno negócio de peças para bicicletas), foi adorador de Lance Armstrong. "Quando descobri que se dopava, chorei". É a única vez que se lembra de chorar em adulto.

A segunda obra ficcional "aborda o Islão", e esteve suspensa devido "a ameaças fundamentalistas". Na net, houve quem o comparasse a Salmon Rushdie. "Na altura percebi; hoje acho um exagero", concede.

Com a "taróloga" Maya escreveu um livro sobre o Benfica. É licenciado em Direito e doutorado em Direito Público na University College Cork, Irlanda. Foi um aluno excelente.

Admira Ronald Reagan e Passos Coelho. "Pode parecer estranho a alguns católicos", mas gosta do Papa Francisco. Está a ler "Bárbaros e iluminados" de Jaime Nogueira Pinto. José Pinto Coelho, líder do PNR, considera-o um dos "seus". "Chamem-me o que quiserem. É-me indiferente", diz aos que o consideram racista e xenófobo. "Acredito no destino e que está escrito que temos uma missão".

Nome: André Claro Amaral Ventura
Nascimento: 1983, em Algueirão, Sintra
Cargo: Licenciado em Direito pela Nova de Lisboa. Doutorado em Direito Público (National University of Ireland, Cork). Candidato pela Coligação Basta!

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