Coronavírus

Chineses recusados pela Islândia e Haiti aterram em Lisboa

Chineses recusados pela Islândia e Haiti aterram em Lisboa

Onze passageiros de um voo privado proveniente da China, um deles alegadamente de Wuhan, epicentro do coronavírus, terão sido rejeitados pela Islândia e Haiti. Aterraram então nos Açores, pode onde ainda se passearam, e uma parte rumou a Lisboa. A diretora-geral da Saúde garantiu que as autoridades açorianas transmitiram que essas pessoas foram submetidos a um "inquérito epidemiológico" mas não explica os motivos para que o voo tenha sido rejeitado em outras paragens.

As autoridades portuguesas permitiram a aterragem nos Açores de um voo de luxo que terá percorrido mais de meio mundo, com onze cidadãos chineses milionários, um deles originário de Wuhan.

Parte da história foi divulgada por um piloto português na empresa Hi Fly, numa rede social, e confirmado por fontes próximas do aeroporto de Ponta Delgada ao JN.

Alegadamente, na Islândia, que era parte do destino dos passageiros, apenas foi permitido o abastecimento da pequena aeronave Gulfstream, fretada para voos privados. O Haiti foi uma segunda hipótese, onde também só foi abastecido o voo. Nesses dois pousos os passageiros terão dormido dentro da aeronave.

Antes de chegar à Europa, a aeronave passou pelo Japão e, antes de rumar à Islândia, ainda pousou em Paris.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, apontou, este domingo à noite, que "até à data, tanto quanto sabemos das autoridades [açorianas] estes casos não tinham uma relação epidemiológico com o foco da doença".

PUB

"De facto, esse voo veio de outro país. Trazia cidadãos chineses a bordo. E houve preocupação da alfândega em sinalizar este voo às autoridades de saúde. Feito o inquérito epidemiológico e a história clínica, estes passageiros, que eram cidadãos chineses, não vinham do epicentro da doença. Estão assintomáticos [sem sintomas associados ao coronavírus]. Estão bem", assegurou a responsável da Direção-Geral da Saúde.

O JN questionou a ANA Aeroportos, pelo episódio em Ponta Delgada, que garantiu que "não obstante o Haiti não constituir uma origem de risco, foi contactada a Autoridade de Saúde que confirmou que, a menos que fossem reportados pela tripulação qualquer sintoma suspeito, não havia qualquer razão para impedir o desembarque ou a implementação de quaisquer medidas cautelares".

A empresa remeteu ainda para a Direção Geral da Saúde (DGS), e para a sua congénere regional, explicações sobre o caso.

Segundo a Direção de Saúde dos Açores, os passageiros "não tiveram qualquer contacto com pessoas suspeitas de infeção por coronavírus e nenhum apresenta qualquer sinal ou sintoma de doença".

"Como tal, não existem critérios clínicos e epidemiológicos para casos suspeitos", referiu a autoridade de saúde açoriana num comunicado.

"Mesmo sem serem considerados casos suspeitos e sem restrições de entrada e/ou circulação, ao nível do quadro legislativo nacional, a situação foi avaliada pela Autoridade de Saúde concelhia e regional, tendo os passageiros sido observados de forma preventiva", explica, acrescentando que "não houve necessidade de qualquer precaução especial para proteção da saúde pública", tendo em conta que os passageiros terão informado as autoridades locais que saíram de Hong Kong há 15 dias - e o período janela de incubação do coronavírus é de 14.

Uma parte dos passageiros terá ficado em Ponta Delgada, alojada no Azor Hotel, e uma outra parte alegadamente embarcou no voo Sata 4012 para Lisboa no domingo ao final do dia.

Neste voo da companhia área açoriana, que chegou à capital às 21.40 horas, estiveram 154 passageiros e oito tripulantes, disse ao JN uma fonte próxima da companhia açoriana.

Essa mesma fonte adiantou que outros elementos daquele grupo de cidadãos chineses terão viajado horas antes também para Lisboa a partir de Ponta Delgada.

Refere o piloto Jorge Estevez, no seu perfil no Facebook, que o objetivo do grupo de passageiros vindos de Hong Kong seria o de assistir à aurora boreal na Islândia, integrado num pacote turístico, mas terão sido impedidos de desembarcar. Rumaram então ao mar do caribe, onde se depararam alegadamente também com um travão das autoridades locais.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG