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Costa imune ao descontrolo da pandemia e popularidade de Marcelo dispara

Costa imune ao descontrolo da pandemia e popularidade de Marcelo dispara

Primeiro-ministro consegue 56% de avaliações positivas. Presidente da República chega aos 68%. Entre o património comum estão os eleitores socialistas, as mulheres, os mais velhos e os lisboetas.

"Popularidade de Marcelo em queda. Costa aguenta-se". Foi o título escolhido para resumir os resultados do barómetro de dezembro passado. Dois meses depois, de acordo com a sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF, o presidente da República inverte a marcha e volta a atingir um pico de popularidade (68% de avaliações positivas). Quanto ao primeiro-ministro, nada de novo, aguenta-se (56% de avaliações positivas). Mas talvez seja esta, afinal, a principal novidade: resiste a tudo, incluindo ao descontrolo da pandemia de covid-19, que em janeiro atirou o país para a pior situação a nível mundial.

É verdade que uma maioria de portugueses ficou descontente com a gestão política da pandemia (56% acham que o Governo não tomou as medidas necessárias para prevenir a mortífera terceira vaga), mas, à tempestade de janeiro parece ter-se sobreposto a bonança de fevereiro.

Os inquéritos da Aximage foram conduzidos nos últimos quatro dias da semana passada, quando já era evidente que o número de infeções descia tão rapidamente quanto tinha subido (o número de internados e de mortes move-se mais devagar e de forma diferida) e esse facto ajudará a explicar que António Costa consiga agora um saldo positivo de 27 pontos percentuais (a diferença entre avaliações positivas e negativas), um valor que se mantém praticamente inalterado desde novembro do ano passado.

Relativamente a Marcelo Rebelo de Sousa, as notícias são ainda melhores, uma vez que consegue um saldo positivo de 50 pontos (mais 10 do que no barómetro de dezembro). Seja ainda pelo efeito da reeleição presidencial de janeiro (em que obteve um pouco mais de 60% dos votos, com 47 pontos de vantagem para a segunda classificada, Ana Gomes), seja por causa da postura mais institucional do último mês, com menor exposição pública e intervenções mais incisivas e exigentes, certo é que a popularidade do presidente disparou, conseguindo o segundo melhor resultado desta série de barómetros, iniciada em julho passado.

Marcelo transversal

Quando se analisam os resultados entre os diferentes segmentos da amostra (género, idade, classe social ou região), Costa e Marcelo estão em sintonia, ainda que o presidente assente sempre num patamar superior ao do primeiro-ministro. Uma vantagem que acaba por se tornar mais evidente quando se faz o cruzamento com as preferências partidárias. Ambos estão ancorados nos eleitores socialistas e perdem gás à medida que se caminha para a Direita, mas, enquanto a popularidade de Marcelo é transversal (só tem saldo negativo entre os eleitores do Chega), Costa perde no território à Direita e até entre os bloquistas.

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Se o ângulo de análise for o género, primeiro-ministro e presidente estão melhor entre a população feminina, uma vez que elas dão mais notas positivas, enquanto eles se destacam nas notas negativas. Nas classes sociais, de novo a evidência de um património comum: o saldo positivo diminui à medida que sobe o rendimento. O mesmo com os grupos etários: o apoio é mais forte entre os que têm 65 ou mais anos (Marcelo chega aos 80%), mas é também elevado entre os mais novos (Costa chega aos 62%).

No que diz respeito à geografia, há uma semelhança e uma diferença: o primeiro-ministro é catapultado pela avaliação positiva dos lisboetas (nas restantes regiões está abaixo da média), enquanto o presidente, para além de Lisboa, soma igual entusiasmo no Norte (74% de avaliações positivas nas duas regiões).

Dois terços pedem mais exigência

É um resultado que se mantém estável desde setembro do ano passado: 70% dos portugueses entendem que o presidente da República deve ser mais exigente com o Governo (menos um ponto do que no barómetro de dezembro). O único segmento da amostra em que há discordância sobre a necessidade de exigência adicional é entre os que votam nos comunistas (ainda que estejam praticamente divididos a meio). Outro resultado que se destaca é o dos eleitores que escolhem o Chega: 100% defendem maior exigência.

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