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Ximenes Belo desapareceu depois de notícia sobre abusos sexuais

Ximenes Belo desapareceu depois de notícia sobre abusos sexuais

Oficialmente ninguém sabe onde está Dom Ximenes Belo, ex-bispo de Dili, prémio Nobel da Paz e agora acusado de abuso sexual de menores.

Até há poucos dias, D. Carlos Filipe, com 74 anos, vivia na residência dos Salesianos em Lisboa, mas com a publicação da notícia dos abusos sexuais pelo jornal holandês "De Groene Amsterdammer", o antigo bispo timorense deixou o local e partiu para parte incerta.

"D. Ximenes Belo não reside aqui nem sabemos onde pode ser localizado", disse ao JN fonte dos Salesianos. Aliás, o prémio Nobel da Paz já nem fará parte desta congregação religiosa.

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A Província Portuguesa dos Salesianos remete eventuais explicações sobre este caso para a Nunciatura Apostólica em Lisboa. "Um bispo deixa de dever obediência à instituição religiosa a que está ligado" logo após a sua nomeação, explicou um sacerdote. Desta forma, D. Ximenes desde que foi ordenado bispo de Dili que não pertence à congregação embora tenha vivido, nos últimos anos, em casas dos salesianos.

Os casos avançados pela imprensa terão ocorrido na década de 1980, antes de Carlos Filipe ser nomeado bispo, quando ainda era superior nos Salesianos de Dom Bosco, em Dili, e foram denunciados em 2002, no ano em que resignou. Em novembro de 2002, D. Ximenes anunciou a sua resignação do cargo, alegando, problemas de saúde e a necessidade de um longo período de recuperação.

Na sua edição "online", o jornal explica ter ouvido várias vítimas e vinte pessoas com conhecimento do caso, incluindo "individualidades, membros do Governo, políticos, funcionários de organizações da sociedade civil e elementos da Igreja".

"Mais de metade das pessoas (ouvidas) conhecem pessoalmente uma vítima dos abusos e outros têm conhecimento do caso. O "De Groene Amsterdammer" falou com outras vítimas que recusaram contar a sua história nos media", refere a jornalista Tjirske Lingsma.

Os timorenses citados no artigo referem alegados abusos cometidos na década de 1990. Hoje com 42 anos, Paulo, identificado como uma das vítimas, alega que quando ainda era menor foi alvo de abusos sexuais na casa de Ximenes Belo, a troco de dinheiro.

Em declarações à Lusa, Marco Sprizzi, representante máximo do Papa e do Vaticano em Timor-Leste, referiu que o caso está com os órgãos competentes da Santa Sé, não indicando se o prelado foi ou não investigado. "Eles estão a examinar este artigo e o seu conduto e de outros que estão a ser publicados neste momento e, a partir disto, qualquer resposta virá diretamente da Santa Sé", explicou, acrescentando que "a Igreja local e a Nunciatura não têm mais competência direta", referindo-se aos testemunhos.

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