Pandemia

Da máscara à testagem: as medidas propostas pelos peritos para combater a quinta vaga

Da máscara à testagem: as medidas propostas pelos peritos para combater a quinta vaga

Com Portugal na quinta vaga da pandemia, o Governo deve aprovar na quinta-feira novas medidas, cerca de uma semana depois de o grupo de peritos ter proposto um plano para conter o aumento de infeções.

Apresentado na reunião do Infarmed de 19 de novembro por Raquel Duarte, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, este plano defende a necessidade de adotar as medidas antes do período de Natal, para minimizar o risco de aumento exponencial de casos, que podem duplicar ou triplicar em poucas semanas.

Com a grande maioria dos dias de novembro acima das mil infeções diárias e um aumento progressivo dos internamentos, os especialistas defendem a aceleração do ritmo da administração da terceira dose de reforço da imunização contra a covid-19.

O contexto pandémico dos países vizinhos, a diminuição do efeito protetor das vacinas, a redução da perceção de risco, associado a um alívio das medidas protetoras, a elevada transmissibilidade do coronavírus e a chegada do inverno, propício à propagação de vírus respiratórios, constituem algumas das ameaças identificadas pelos especialistas.

A estas acresce o facto de Portugal ter uma das populações mais envelhecidas da Europa, assim como o ritmo da administração da terceira dose da vacina e a época de Natal, com grande mobilidade de pessoas e concentrações familiares.

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Face à evolução da pandemia em Portugal, o grupo de peritos avança com a adaptação da estratégia de controlo da covid-19 assente em cinco eixos: vacinação, qualidade do ar interior, distanciamento social, utilização de máscara e testagem regular.

Como recomendações gerais os especialistas defendem a necessidade de acelerar o processo de reforço da vacinação e a testagem voluntária e gratuita, incluindo das pessoas vacinadas, dos grupos vulneráveis e em situações de maior concentração de pessoas ou em situações de risco.

Além disso, recomendam que o certificado digital passe a incluir o resultado do teste das últimas 48 horas nas situações em que isso seja justificado, como nos casos de aglomerações em espaços interiores sem máscara.

Preconizam ainda a monitorização das variantes em circulação do coronavírus, mas também que o certificado digital seja utilizado como uma garantia adicional de segurança no controlo das fronteiras.

Estas medidas de caráter geral são propostas para serem aplicadas a todos os contextos e incluem a utilização obrigatória de máscara em ambientes fechados e em eventos públicos.

Para adoção generalizada é ainda proposta a ventilação e climatização adequadas dos espaços fechados, a utilização do certificado digital com teste recente nos espaços públicos, de acordo com o que for definido pela Direção-Geral da Saúde, e a autoavaliação de risco e respetiva adoção das medidas de proteção.

Os peritos avançam ainda com a proposta da realização de atividades no exterior ou por via remota, sempre que possível, o cumprimento do distanciamento físico, com a definição do número de pessoas por metro quadrado, e a evicção (afastamento com fundamento legal por doença contagiosa) de todas as situações não controladas de aglomeração de pessoas.

Estas medidas são propostas para aplicação no caso do agravamento dos indicadores da pandemia.

Paras as escolas, comércio - incluindo centros comerciais -, restauração e bares, hotelaria e alojamento, assim como para as atividades desportivas e celebrações como casamentos e batizados, os peritos propõem que sejam aplicadas as medidas gerais.

Já para os restantes setores e eventos, além do cumprimento das medidas gerais, os especialistas defendem:

- Atividade laboral: desfasamento de horários e teletrabalho, sempre que possível.

- Eventos de grande dimensão: no exterior, devem ser definidos circuitos de circulação e a identificação de locais onde as pessoas podem permanecer, respeitando o distanciamento. Nos casos em que não for possível o controlo dos eventos, através do cumprimento das medidas gerais, os mesmos não devem ser realizados, tanto no exterior, como no interior.

- Circulação nos espaços públicos: deve ser mantida da distância e a autoavaliação de risco com a utilização da máscara.

- Lares de idosos: deve ser identificado o risco de acordo com o grupo etário, as comorbilidades e a vacinação dos utentes e devem ser promovidas medidas de prevenção individual. Além disso, deve ser feita uma testagem regular de funcionários e visitas.

- Transportes públicos: deve ser assegurado sistemas de ventilação e climatização adequados, assegurado o distanciamento sempre que possível e a utilização obrigatória de máscara.

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