Santos Silva

Decisão de Caracas sobre a TAP é "completamente injustificada"

Decisão de Caracas sobre a TAP é "completamente injustificada"

Augusto Santos Silva considera "inamistosa" e "injustificada" a decisão das autoridades de Caracas que suspenderam por 90 dias as operações da TAP.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considera "inamistosa" e "injustificada" a decisão das autoridades de Caracas, que ontem suspenderam por 90 dias as operações da TAP, acusando a companhia aérea portuguesa de "graves irregularidades cometidas no voo TP173". O governo venezuelano alega que a TAP violou "padrões internacionais", por alegadamente ter permitido o transporte de explosivos e ocultado a identidade de Juan Guaidó, que seguiu no voo em causa, com destino a Caracas.

"Completamente infundamentada e injustificada. Não vejo nenhuma espécie de justificação, seja pelo histórico da TAP na Venezuela, pelo muito que a TAP já deu e por não haver nenhum indício. Por não ter sido apresentado nenhuma prova que seja possível de escrutinar de forma objetiva, que não sejam apenas alegações", disse à agência Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Para Augusto Santos Silva, a decisão das autoridades venezuelanas de suspender os voos não tem nenhuma justificação porque, "quando houve uma alegação da parte de um dirigente venezuelano de que teria havido um transporte de explosivos a bordo de um avião da TAP, as autoridades competentes em Portugal determinaram a abertura de um inquérito", que ainda decorre.

"É um ato inamistoso para Portugal, um país que se tem caracterizado pelo equilíbrio e com capacidade de falar com todos e que não tem feito outra coisa em relação à Venezuela se não contribuir para que os Venezuelanos possam superar a crise politica e humanitária em que estão mergulhados. Não temos feito outra coisa se não procurar ajudar", afirmou Augusto Santos Silva. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda que "num Estado de direito e num estado que queira seguir o primado da Lei" é inconcebível que se tome uma decisão deste tipo e sem ouvir, neste caso, a companhia aérea que fica penalizada.

Para a diplomacia portuguesa, a decisão prejudica "imenso" os próprios venezuelanos visto que a TAP "era uma das raras companhias do mundo com voos regulares para Caracas" prejudicando "sobremaneira" a comunidade portuguesa que, segundo Santos Silva, "não merece esta atitude" por parte do governo venezuelano.

Santos Silva acrescentou que "foram desencadeadas as diligências necessárias" para tentar reverter a situação e, questionado sobre se Portugal dispõe de planos de contingência para a Venezuela, em caso de necessidade, o governante disse que o país está "sempre" preparado para acudir em situações de emergência.

Em resposta à suspensão dos voos, a TAP disse, na segunda-feira, "não compreender" a decisão da Venezuela, considerando-a uma "medida gravosa", que prejudica os passageiros. "A TAP não compreende as razões desta suspensão da operação para a Venezuela por 90 dias, uma vez que cumpre todos os requisitos legais e de segurança exigidos pelas autoridades de ambos os países. Trata-se de uma medida gravosa que prejudica os nossos passageiros, não tendo a companhia sequer tido hipótese de exercer o contraditório", disse fonte oficial da companhia aérea.

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