Estudo

Fundações são poucas mas estimulam economia social

Fundações são poucas mas estimulam economia social

Um estudo elaborado pela Católica Porto Business School revela que a economia social é composta por mais de 600 fundações, que empregam 14 mil pessoas. Segundo os números do INE, relativos a 2016, estas representam só 0,9% do número de entidades da economia social, mas criam 6% do emprego e geram 6,9% do Valor Acrescentado Bruto do ramo.

A maioria das fundações (30%) presta serviços sociais, embora um número significativo opere nas áreas da Cultura/Comunicação (21%) e da Saúde (17%) e Educação (9%). A falta de transparência é o principal desafio, revela o estudo, apresentado esta quarta-feira.

A investigação, denominada "O Impacto Social das Fundações", foi promovida pelo Centro Português de Fundações. Analisou projetos de 12 entidades, entre elas as fundações de Serralves e Gulbenkian. Embora operando em áreas tão diferentes como a Educação, a Tecnologia ou a literacia financeira, todas visam promover o desenvolvimento social.

A coordenadora da investigação, Raquel Campos Franco, sustenta que a grande vantagem das fundações é abraçarem "causas que nem privados nem governos abraçam". Fazem a diferença quando estes "não querem ou não têm capacidade" para cumprir "missões" sociais, refere.

"Causas que interessam"

Ao JN, a professora da Católica Porto Business School explica que o vasto património das fundações lhes dá a "independência" e a "visão de longo prazo" de que o Estado e as empresas nem sempre têm. É isso que lhes permite abordar temas "complexos" - sobretudo a nível local - e atingir um impacto socioeconómico "importante", refere.

Segundo o estudo, em 2016, a economia social era formada por 619 fundações, que empregavam 14.113 trabalhadores e gastavam 304 milhões em salários. Essa quantia corresponde a 7% das remunerações do setor.

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Raquel Campos Franco nota que a Gulbenkian é "uma das maiores fundações europeias" e que o país dispõe de várias outras de média dimensão. Isto, aliado ao facto de as fundações lidarem com "causas que interessam a muitos", torna-as "empregadores interessantes" e atrativos, vinca.

Assim, as fundações portuguesas geram, também, "grande valor acrescentado", refere a académica. Os 6,9% do Valor Acrescentado Bruto de 2016 correspondem a 332 milhões de euros.

Portugueses desconfiam

O estudo aponta a falta de transparência como o maior obstáculo. Citando um inquérito de janeiro do Social Data Lab, realça que "os portugueses não acham as fundações transparentes" e que consideram que a criação destas entidades se destina a "pagar menos impostos".

Os dados sobre fundações são atualmente disponibilizados pelo Instituto de Registos e Notariado, INE e Governo. No entanto, Raquel Campos Franco alerta que estão incompletos e "não batem certo". Só se for criada uma base de dados pública e exaustiva é que a população poderá "separar o trigo do joio" e "valorizar" as fundações que fazem de facto a diferença, argumenta.

Questionada sobre o interesse de grandes empresas, como a Altice, em criar fundações, refere que existe um "duplo objetivo": o desejo de "devolução" do investimento feito pela comunidade; e a necessidade de apresentar a empresa como "boa cidadã".

Contacto com a natureza em Serralves

O estudo da Universidade Católica abordou 12 projetos. Foram desenvolvidos pelas fundações de Serralves, Calouste Gulbenkian, Francisco Manuel dos Santos, Aga Khan, Altice, Bissaya Barreto, CEBI, Dr. António Cupertino de Miranda, Eugénio de Almeida, Manuel António da Mota, Montepio e Vasco Vieira de Almeida.

No que diz respeito às fundações sediadas no Porto, a fundação de Serralves promove o projeto Con(s)CiênciArte, que visa combater o insucesso escolar e o abandono precoce. Leva jovens alunos do Norte a contactar com a Natureza, em articulação com o ensino formal.

A fundação Manuel António da Mota, do criador da Mota-Engil, atribui um prémio a instituições que promovam o desenvolvimento social em várias áreas, atribuindo 50 mil euros à entidade vencedora.

Já a fundação dr. António Cupertino de Miranda promove o "No Poupar Está o Ganho". O projeto em causa visa melhorar a literacia financeira dos jovens.

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