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Gouveia e Melo exige "consequências": o que aconteceu no Cerco foi uma "desobediência"

Gouveia e Melo exige "consequências": o que aconteceu no Cerco foi uma "desobediência"

A decisão do centro de vacinação do Cerco, no Porto, de permitir que pessoas fora da atual ordem de prioridades fossem vacinadas, durante dois dias, configura uma "desobediência". E o vice-almirante Gouveia e Melo quer que "rapidamente" se tirem consequências. "É um ato de indisciplina", diz.

"Nunca tive um caso desta dimensão, é a primeira vez. Isto, para todos os feitos, consagra uma desobediência clara ao plano: alguém com responsabilidade que resolve, fora do plano, inovar e vacinar pessoas que não estão neste momento elegíveis para vacinação", disse Gouveia e Melo aos jornalistas, durante uma visita esta sexta-feira ao centro de vacinação da ilha de Porto Santo, na Madeira.

"Mal soubemos do caso, tentámos recolher dados e recolhemos. Em duas/três horas, e mal tivemos o mínimo de dados, fizemos uma participação ao nosso contacto com a Polícia Judiciária e uma participação à Inspeção Geral da Saúde para fazer uma investigação", disse, referindo também que falou com o presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS) "para que isto deixasse de acontecer e se tirassem todas as consequências deste ato que, para todos os efeitos, é um ato de indisciplina".

ARS Norte abre inquérito

A ARS Norte já confirmou ao JN ter aberto um processo de inquérito ao sucedido no centro de vacinação que funciona sob alçada do Agrupamento de Centros de Saúde Porto Oriental, cuja diretora, Dulce Pinto, o JN está a tentar contactar.

"Eu não posso demitir as pessoas, como é evidente. Pedi foi à estrutura para tirar rapidamente as consequências que têm que ser tiradas, porque tem que haver disciplina. Eu sou militar, num plano desta complexidade, com esta urgência e sendo massivo tem que haver disciplina. Isso vai ter que acontecer de uma forma ou de outra", disse o vice-almirante.

O responsável da task force da vacinação reagiu assim ao episódio dos últimos dois dias em que o centro de vacinação do Cerco terá aberto um período de vacinação para pessoas de qualquer faixa etária, à revelia das atuais regras em vigor.

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"Vacinar os jovens"

O presidente da Junta de Freguesia de Campanha, Ernesto Santos, em cujas redes sociais o dia aberto de vacinação foi divulgado, explicou ao JN o sucedido.

"Terça-feira fui contactado pela diretora do ACES Porto Oriental, dra. Dulce Pinto, que me pediu colaboração no sentido de publicitar a vacinação aberta. Perguntei-lhe se era livre, para a toda a gente, e disse-me que sim, que era necessário começar a vacinar as camadas mais jovens. Coisa que me agrada bastante porque temos situações em que são os jovens os grandes transmissores de covid. Como sempre colaboramos com o ACES Porto Oriental . Se houve erro ou não não sou eu que tenho que julgar essas situações".

Contactada pelo JN, fonte oficial da coordenação do processo de vacinação confirma a participçação à IGAS e à Polícia Judiciária e que esta situação "indicia a prática de atos contrários nas normas e instruções em vigor".

"Atualmente estão a ser vacinados, por agendamento central, por auto agendamento ou por agendamento local, os utentes com idade igual ou superior a 30 anos e na modalidade casa aberta, utentes com idade igual ou superior de 50 anos não estando previsto a vacinação de utentes abaixo das faixas etárias atualmente previstas, exceto utentes com as comorbilidades definidas na norma número 002/2021 da DGS ou outras exceções definidas na mesma norma", esclarece a task-force.

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