Belém

Gouveia e Melo tomou posse em cerimónia curta a que faltou o antecessor

Gouveia e Melo tomou posse em cerimónia curta a que faltou o antecessor

Cerimónia apressada e sem declarações marcada pela ausência do anterior chefe do Estado-Maior da Armada.

Sem discursos, com polémica e ausências de peso, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, ex-coordenador do processo de vacinação contra a covid-19, tomou posse, esta segunda-feira, como chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA).

Depois de uma falsa partida em setembro, a proposta de nomeação foi aprovada em Conselho de Ministros na quinta-feira e concretizada ontem. Gouveia e Melo substitui, assim, António Mendes Calado, que não esteve presente na cerimónia e que afirmou, num vídeo divulgado na semana passada na página de Facebook da Marinha, que não saiu "por vontade própria".

Realizada no Palácio de Belém, a cerimónia de tomada de posse ficou marcada pela curta duração - cerca de dois minutos -, e ainda pela ausência de António Costa, que falhou a tomada de posse por esta coincidir com o seu período de férias.

Gouveia e Melo foi empossado na presença do ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, e de Eduardo Ferro Rodrigues.

POLÉMICAS DA SUCESSÃO

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Recorde-se que o antigo CEMA, António Mendes Calado, estava no cargo desde 2018, tendo sido reconduzido em fevereiro deste ano.

A nomeação para CEMA fica marcada pelo falso arranque, em setembro deste ano, quando o nome de Gouveia e Melo foi divulgado nos jornais e obrigou a um reunião de emergência entre ministro da Defesa, primeiro-ministro e presidente da República.

Segundo uma nota divulgada pela Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa considerou ter "chegado o tempo" de exonerar Mendes Calado, sendo altura de antecipar em "alguns meses" o fim do mandato que estava previsto para 2023.

O presidente da República afirmou que a sua decisão teve em consideração a nova legislação das Forças Armadas que "inaugurará um novo ciclo político e funcional".

ALMIRANTADO CONTRA

Na semana passada, o Conselho do Almirantado reuniu para se pronunciar sobre a exoneração e a nomeação de um novo CEMA, acabando, apesar das divisões internas, por manter o apoio ao almirante Mendes Calado, já manifestado em setembro.

Dos seis almirantes que reuniram, três votaram contra a exoneração de Mendes Calado, sendo que o voto de qualidade do vice-CEMA Novo Palma acabaria por ditar o parecer desfavorável ao afastamento do CEMA. Apesar de não ser vinculativo, o parecer do Almirantado foi comunicado à tutela.

Uma das questões mais prementes que Gouveia e Melo tem agora para resolver é a indicação de um novo comandante naval, que, apesar de ser o posto operacional mais importante da Marinha, está deserto há meio ano, já que o primeiro nome proposto pelo anterior CEMA foi rejeitado e o segundo não obteve resposta.

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