Covid-19

Governo fecha área de Lisboa ao fim de semana para "proteger o país"

Governo fecha área de Lisboa ao fim de semana para "proteger o país"

A partir de sexta-feira, é proibida a circulação para fora e para dentro da Área Metropolitana de Lisboa durante o fim de semana. Próxima fase do desconfinamento "dificilmente" irá avançar.

Portugal já não está na zona verde da matriz de risco e por isso "não tem condições para avançar" no desconfinamento. Quem o afirma é Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência, que falava esta quinta-feira aos jornalistas na conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

"Estamos hoje claramente numa situação já bastante longe da zona verde e, portanto, o país está numa situação mais preocupante do que estava há uma semana, como um todo, com as desigualdades territoriais que conhecem", afirmou a governante, admitindo que "muito dificilmente" se poderá verificar uma nova fase de desconfinamento, que estava prevista para a próxima semana.

Mariana Vieira da Silva reconheceu que a situação da pandemia de covid-19 é "mais preocupante" do que nas semanas anteriores e indicou a degradação dos indicadores da matriz: incidência, que em Portugal continental subiu para 90,5 casos por 100 mil habitantes e índice de transmissibilidade (Rt), que é agora de 1,13.

Circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa proibida ao fim de semana

A partir desta sexta-feira, é proibida a circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa (AML) aos fins de semana, devido à subida dos casos de covid-19 neste território. A proibição é aplicada entre as 15 horas de sexta-feira e as 6 horas de segunda-feira e aplica-se à AML "como um todo" e não aos "concelhos que a compõem", esclareceu a ministra da Presidência.

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Mariana Vieira da Silva afirmou que as restrições de circulação pretendem que "a elevada incidência que se faz sentir nesta região não se transporte para fora dela". "Não é uma medida de controlo da pandemia, porque não é isto que vai fazer com que os números baixem, mas sim uma tentativa de que os casos não alastrem no território. É muito mais uma medida de proteção do resto do país, para não estender o fenómeno para outras regiões", esclareceu, sem adiantar datas quanto à duração desta medida, dependendo da avaliação que será feita pelos peritos em relação às novas variantes e que em função disso o Governo tomará "novas medidas".

A ministra destacou que esta é uma medida nova de controlo da pandemia, que "não é fácil nem desejada por ninguém, mas que é necessária" para conter o agravamento da incidência da doença nesta região, sobretudo com a prevalência da variante "delta" do coronavírus. "O fechamento não é total, nunca é, há sempre algumas exceções, nomeadamente laborais. Temos consciência de que não é uma medida fácil, mas é necessária", salientou a governante.

Mariana Vieira da Silva defendeu que a proibição de circulação "tem enquadramento na lei de proteção civil e na lei de saúde pública" devido à situação de calamidade. "Obviamente que é difícil a explicação e a tomada destas medidas, mas é uma condição que nos pareceu fundamental neste momento para não fazer alastrar a todo o país a situação que se vive em Lisboa", assegurou a governante.

Esta proibição de circulação, no entender do Governo, "tem enquadramento na lei de proteção civil e na lei de saúde pública, estando o país em estado de calamidade como está". "Ela será comunicada e explicada usando as vias que habitualmente usámos", disse a ministra.

Dez concelhos ficam na 4.ª fase do plano de desconfinamento

Braga, Lisboa e Odemira mantêm-se na fase de 1 de maio do plano de desconfinamento, a que se juntam Albufeira, Arruda dos Vinhos, Cascais, Loulé, Sertã e Sintra, assim como Sesimbra, com medidas mais restritivas.

"Temos, neste momento, 10 concelhos em situação diferente do que estará o resto do país", afirmou a ministra. Os restantes 268 concelhos de Portugal continental ficam na nova fase do plano de desconfinamento, em vigor desde 10 de junho, com um alívio das medidas para combater a pandemia de covid-19.

Relativamente aos 10 concelhos que ficam sujeitos às medidas da 4.ª fase do plano de desconfinamento, Mariana Vieira da Silva disse que Sesimbra registou, pela segunda semana consecutiva, mais de 240 casos de covid-19 por 100 mil habitantes, pelo que estará num nível de "maior restrição", inclusive o encerramento da restauração e dos estabelecimentos às 15.30 horas durante o fim de semana.

"Os restantes nove concelhos encontram-se na fase em que estávamos antes desta nova fase de desconfinamento, genericamente, são eles Albufeira, Arruda dos Vinhos, Braga, Cascais, Lisboa, Loulé, Odemira, Sertã e Sintra", apontou.

Alertando para o agravamento da situação epidemiológica, a ministra de Estado e da Presidência referiu que esta semana existe "um número muito alargado, face à semana anterior, de concelhos em situação de alerta", num total de 20: Alcochete, Águeda, Almada, Amadora, Barreiro, Grândola, Lagos, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Sardoal, Seixal, Setúbal, Sines, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira.

"Todos estes concelhos, maioritariamente localizados na Área Metropolitana de Lisboa, estão hoje em situação de alerta, ou seja, tem mais de 120 casos por 100 mil habitantes ou nas zonas de baixa densidade [populacional] mais de 240 casos por 100 mil habitantes", declarou a governante.

Mariana Vieira da Silva destacou a recuperação de quatro concelhos, inclusive Vale de Cambra que na semana passada ficou sujeito às medidas da fase de 1 de maio. Os outros três concelhos que recuperaram foram Alcanena, Paredes de Coura e Santarém, que estavam na semana passada em situação de alerta, registando hoje uma taxa de incidência inferior a 120 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias ou inferior a 240 se forem territórios de baixa densidade populacional.

Utentes vacinados com uma dose da Astrazeneca vão ser chamados para segunda toma

As pessoas já vacinadas com a primeira dose da vacina da AstraZeneca vão ser chamadas, a partir desta quinta-feira, para receber a segunda dose da vacina contra a covid-19, cujo intervalo entre as tomas foi reduzido, anunciou o Governo.

"A norma entrou em vigor hoje e, a partir de hoje, as pessoas serão contactadas para antecipar das 12 para as 8 semanas os seus agendamentos, o que permitirá acelerar a proteção das pessoas que ainda só tinham uma dose", avançou a ministra da Presidência.

Mariana Vieira da Silva sublinhou que, de acordo com estudos realizados no Reino Unido, uma só dose da vacina "protege menos" contra a variante Delta.

"É na tentativa de mais uma vez, também não de acordo com o previsto, mas antecipando aquilo que estava previsto, que tomamos esta medida", afirmou a governante.

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