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Governo recomenda luzes de Natal até à meia-noite para poupar energia

Governo recomenda luzes de Natal até à meia-noite para poupar energia

O decreto-lei sobre o plano de poupança energética do Governo foi publicado esta terça-feira em Diário da República. Entre as medidas está o ajustamento dos períodos de utilização da iluminação natalícia para o horário entre as 18 horas e as 24 horas e a possível adoção do teletrabalho, sempre que o regime for viável e se se comprovar a poupança energética.

No total, o Governo apresenta sete medidas de caráter obrigatório para a administração pública central, nove medidas de recomendação para a administração pública local e 13 (também de recomendação) para os privados, onde se incluem as indústrias, os centros comerciais e as residências particulares. O plano de poupança inclui medidas para a energia e a eficiência hídrica.

Quanto aos edifícios da administração pública central, que inclui por exemplo os ministérios, será obrigatório desligar a iluminação decorativa no interior a partir das 22 horas no inverno e das 23 horas no verão, já no exterior será apenas a partir das 24 horas e "salvaguardando questões de segurança".

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No que toca ao ajustamento do horário das luzes de Natal, uma intenção anunciada pelo ministro do Ambiente no início de setembro, a recomendação vai vigorar entre 6 de dezembro e 6 de janeiro de 2023. Na prática, o Governo aconselha às autarquias a ligar a iluminação natalícia às 18 horas e a desligá-las às 24 horas.

Se na administração pública local, onde se incluem os municípios, a medida é uma recomendação, para as zonas sob alçada direta do Estado, as luzes de Natal terão mesmo de ser desligadas à meia-noite, ou seja, é de implementação obrigatória.

Rega depois das 17 horas no inverno

Na administração pública central, local e nos privados, o Governo aponta o teletrabalho como uma "prática de gestão de recursos humanos" que pode permitir a redução de consumos energéticos. A medida terá ser avaliada e só deverá ser aplicada se for "viável" para os respetivos serviços. Haverá ainda ações de informação sobre as "poupanças associados ao consumo energético, bem como das deslocações casa -trabalho-casa".

No que toca ao desperdício de água, o Governo aponta que os espaços exteriores da administração pública central só devem regados em "horários de menor evaporação", para depois das 20 horas no verão e para depois das 17 horas no inverno. As águas pluviais deverão ser aproveitadas não só para as regas, como para as lavagens. A lavagem de veículos do Estado deve ser reduzida.

Há também conselhos para as espécies a plantar, seja na administração pública central, local ou nos privados, o Governo aponta que se deve promover o uso de plantas "com baixa necessidade de rega, apropriadas ao clima e terra".

Nas piscinas e nos complexos desportivos, sob posse da administração pública local ou de privados, deverá haver um "aproveitamento das águas dos banhos para os sanitários". A colocação de capas térmicas para reduzir "perdas térmicas quando as piscinas estão em utilização" é também uma das ações recomendadas pelo Governo. Ambas as medidas deverão precisar de investimento, precisa o decreto-lei publicado esta terça-feira.

Desligar luzes das montras

Nos privados, onde se inclui o comércio, é aconselhado "desligar a iluminação de montras e similares após o encerramento do estabelecimento". No caso dos centros comerciais, a redução da iluminação interior deve ser feita "a níveis mínimos de segurança", mantendo a visão por câmaras de videovigilância, "após o horário de normal funcionamento e nos períodos de manhã de tráfego fraco".

Embora não particularize as medidas para o cidadão comum, há recomendações feitas para os privados que podem ser adotadas na casa de cada um, como a "redução do tempo de água corrente de banhos e duches", a "utilização de estratégias de aproveitamento da água de banhos e duches, até que a temperatura ideal seja atingida" e a "minimização do número de utilizações da máquina de lavar roupa e máquina de lavar louça, utilizando a sua capacidade máxima".

Na indústria, o Governo considera que as águas residuais resultantes do fabrico devem ser utilizadas e que o vapor de água gerado no processo deve ser também recuperado.

No plano do Executivo há várias medidas temporárias (entre três a 12 meses), já outras são permanentes, como as aplicadas à indústria. Em vista estão também várias campanhas de sensibilização, de redução do consumo energético, como a mobilidade a pé ou o uso de transportes públicos e a redução da velocidade máxima para os 100 km/h.

De acordo com as estimativas do Executivo, face à meta para reduzir voluntariamente 15% do consumo de gás na União Europeia, Portugal prevê diminuir em 34%, com as novas medidas do plano de poupança de energia, a injeção de energia na rede (fotovoltaico) e as medidas implementadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

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