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Hospitais de Lisboa pedem ajuda ao Norte

Hospitais de Lisboa pedem ajuda ao Norte

No pior dia de sempre da pandemia, S. João, Santo António e Gaia acolhem doentes de várias unidades do Sul.

O dia de ontem, 8 de janeiro de 2021, é (até ver) o mais negro da história da pandemia em Portugal: 10 176 novos casos, 118 mortos, 3451 doentes internados. Todos os registos foram ultrapassados e a tendência é de crescimento. Com mais 4291 casos do que no dia anterior, Lisboa e Vale do Tejo é atualmente a região mais pressionada do país em termos de novas infeções e internamentos. Vários hospitais atingiram o limite e tiveram de alargar o número de camas e de transferir doentes. No Norte, os hospitais de Gaia, de S. João e de Santo António aguardavam ontem à noite a chegada de doentes de Lisboa.

Ao que o JN apurou, o Centro Hospitalar de Gaia/Espinho contava receber nas enfermarias cinco doentes com covid-19 vindos do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra). Esta unidade confirmou ao JN que ia transferir outros cinco doentes para o Santo António, no Porto, "uma medida preventiva para o aumento de casos esperado nos próximos dias". O Hospital de S. João preparava-se para acolher, também ontem, os primeiros cinco doentes do Beatriz Ângelo, de Loures.

As transferências de "alguns doentes" de Lisboa e Vale do Tejo para a região Norte estavam a ser ultimadas ao final da tarde, confirmou a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT) em resposta ao JN. Não precisou se são apenas doentes com covid, mas garantiu que os mais graves não estão a ser transferidos.

A situação em LVT é crítica. Os hospitais daquela região tinham ontem internados 1409 doentes com covid-19 (41% do total do país), dos quais 1214 em enfermaria e 195 em cuidados intensivos. Ao JN, a ARS confirmou ainda que se mantém a colaboração com as unidades privadas, do setor social e das Forças Armadas, onde estão internados 89 doentes com covid-19 e 26 não covid.

A partir da próxima semana, nas instalações do polo de Lisboa do Hospital das Forças Armadas vai ser disponibilizado um hospital de campanha, para ampliar a capacidade de resposta até 60 camas em enfermaria e seis de cuidados intensivos, referiu o Ministério da Defesa em comunicado. Está ainda prevista para breve a abertura de mais 30 camas no Centro de Apoio Militar de Belém, que passará a contar com um total de 90.

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Esforço para abrir camas

A transferência de doentes entre regiões começou no fim de semana passado, com doentes de Lisboa a serem transferidos para hospitais do Centro e do Algarve. Em sentido inverso, Lisboa recebeu doentes do Alentejo, cuja capacidade de resposta também está nos limites. Noutras fases, nomeadamente em novembro, o Norte também recorreu a este funcionamento em rede e enviou doentes para Lisboa e outras regiões.

A braços com uma enorme pressão no internamento, os hospitais de Lisboa desdobram-se para abrir camas. No Santa Maria (Centro Hospitalar Lisboa Norte), estavam ontem 160 doentes covid e, apesar de ter sido aberta mais uma enfermaria, sobravam apenas 16 camas.

Ao início da noite, fonte do hospital informou que o plano de contingência ia ser elevado para permitir a abertura de mais 50 camas covid, passando a dispor de 160 em enfermaria e 48 em cuidados intensivos.

No Hospital Fernando da Fonseca estavam internados 136 doentes covid, num total de 150 camas (mais 30 desde quarta-feira). No Garcia de Orta, em Almada, que tinha ontem 123 doentes covid, abriram mais quatro vagas em intensivos e admite-se o recurso ao privado, em caso de necessidade adicional e quando esgotada a articulação regional.

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