Pandemia

Hospital de São João reativa tendas em dia de recorde de casos de covid

Hospital de São João reativa tendas em dia de recorde de casos de covid

Hospital de S. João reativa tendas de triagem perante aumento de casos suspeitos. Médicos alertam para risco de rutura do SNS e exaustão.

Portugal bateu o recorde de infetados com covid-19, ao registar 1646 novos casos, após ter passado a linha dos mil na última semana. Nunca, desde 2 de março, a pandemia registou um número tão elevado. A ministra da Saúde admitiu que as autoridades estão preparadas para "um contexto extraordinariamente difícil". Mas o Governo não perspetiva fechar a fronteira com Espanha, que avançou com confinamentos locais.

Segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS), houve 1646 novos positivos, estando internadas 831 pessoas - mais 20 em 24 horas. Cinco pessoas perderam a vida devido à covid, que apresenta agora no Norte o maior número de novos infetados.

Este aumento levou já o Hospital de S. João, no Porto, a reativar seis tendas - quatro de adultos e duas de crianças - para a triagem avançada de doentes. Ao JN, fonte daquele que é o maior centro hospitalar do Norte adiantou que a medida se deveu a "uma maior pressão nos serviços de Urgência", havendo a possibilidade de alocar também o conjunto de contentores que tinham sido desativados até ao fim de maio. Só sexta-feira, o S. João teve 150 suspeitos de covid-19 para despistar.

Costa: "não se justifica fecho"

Apesar dos números, o Governo assumiu ontem que a fronteira com Espanha não encerrará. "Neste momento, não se justifica esse fecho. Estamos numa situação completamente diferente da que estávamos em abril", explicou António Costa, ao lado do congénere espanhol Pedro Sánchez, no final da cimeira luso-espanhola, na Guarda. O primeiro-ministro defendeu que a estratégia deve apostar na "responsabilidade individual de cada um na forma como mantemos as regras da disciplina". Mas Sánchez foi mais taxativo: "Não contemplamos em absoluto o fecho das fronteiras".

Cansaço do setor da saúde

Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve no Porto a homenagear os profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mostrou menos certezas quanto ao controlo fronteiriço. "Era muito importante não fechar", disse. O presidente aproveitou a ocasião para sublinhar a compreensão do cansaço do setor da saúde, adiantando "que o esforço está a ser muito mais longo e muito mais difícil do que se pensava". Para a ministra da Saúde, Marta Temido, que também esteve no Porto, não há o risco de rutura na resposta, tendo em conta que as autoridades estão a preparar-se para um "contexto extraordinariamente difícil".

Menos certeza tem a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), que alerta para o "risco de rutura no SNS" e vê nas palavras de Temido "justificação de que todos os abusos são permitidos". "A ministra tem de dar condições. Não pode lembrar as obrigações dos profissionais e esquecer as suas. Os médicos, que estavam em sobrecarga antes desta crise, chegaram a um momento de exaustão. Atenção: não é um cansaço de fim de tarde mas um "burnout" [esgotamento]", apontou, ao JN, Noel Carrilho, líder da FNAM, que denuncia que "não houve reforço dos recursos humanos" e que os médicos "são agora os mesmos ou menos" do que em março.

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