Covid-19

INSA vai reavaliar amostra que deu positivo a Marcelo

INSA vai reavaliar amostra que deu positivo a Marcelo

Fundação Champalimaud frisa qualidade dos testes. Presidente "muito irritado" com falta de resposta das autoridades de Saúde.

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) vai avaliar o que esteve na origem do resultado positivo do teste feito ao presidente da República e que entretanto foi contrariado por dois testes negativos feitos com a mesma metodologia (PCR), pelo laboratório nacional de referência para o vírus da covid-19. Além de uma análise aos procedimentos, o INSA vai tentar recuperar a amostra colhida na Fundação Champalimaud, em Lisboa, para voltar a testá-la. A suspeita de infeção do chefe de Estado e candidato presidencial e a confusão sobre os testes causou alvoroço, levando, ao início da noite de ontem, Marcelo Rebelo de Sousa a admitir estar "muito irritado" com a falta de resposta das autoridades de saúde sobre a possibilidade de participar presencialmente no debate com os outros candidatos na RTP. Acabou por fazê-lo, mas por videoconferência.

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"O que vamos fazer é contactar o laboratório onde foi realizado o teste e avaliar o que esteve na origem do resultado e a sua interpretação. E vamos tentar recuperar a amostra para voltar a testá-la", disse ao JN Raquel Guiomar, virologista e investigadora do INSA e responsável pelo Laboratório Nacional de Referência do Vírus da Gripe e outros Vírus Respiratórios.

O presidente da República deu positivo à covid-19 num teste PCR feito na Fundação Champalimaud, cujo resultado foi anunciado anteontem à noite. Foi pedida a confirmação do resultado ao INSA e nas duas amostras colhidas pelo INEM não foi detetada a presença do SARS-CoV-2. Antes do teste positivo, Marcelo também tinha feito um teste de antigénio que deu negativo.

Sobre os testes rápidos, os especialistas são unânimes: é frequente darem negativo em assintomáticos. Mas os resultados contraditórios dos testes PCR levantaram muitas dúvidas. Há várias explicações para o que aconteceu e ontem à noite não estava descartada a hipótese de Marcelo estar infetado, mas numa fase inicial com uma carga viral muito baixa. À hora de fecho desta edição, as autoridades de saúde ainda não tinham anunciado se o chefe de Estado se mantinha em isolamento ou não.

Cenários plausíveis

Henrique Veiga-Fernandes, investigador em Imunologia da Fundação Champalimaud, salientou o rigor e o controlo de qualidade a que são sujeitos os milhares de testes realizados na instituição, que faz parte da rede nacional de laboratórios de diagnóstico da covid-19.

O especialista apontou ao JN "os dois cenários mais plausíveis" para o que aconteceu: uma questão técnica, que poderá estar relacionada com uma ligeira contaminação da amostra num dos vários passos antes de ser testada (recolha, armazenamento ou procedimentos em laboratório) ou com os chamados falsos positivos que, apesar de "extraordinariamente raros" nos testes PCR, podem acontecer; ou questões biológicas, que têm a ver com o momento em que é feito o teste - "numa fase muito inicial da doença a carga viral é tão baixa que num espaço de tempo muito curto pode dar um resultado negativo depois de um positivo", explica. Tal também pode acontecer na fase final da infeção, mas é pouco provável no caso de Marcelo porque é testado com muita frequência e o vírus já teria sido detetado. Para confirmar a hipótese de uma baixa carga viral, Henrique Veiga-Fernandes defende que o presidente da República deve ser testado mais uma vez nos próximos dias.

Raquel Guiomar salienta que ainda não há conclusões, mas refere que as hipóteses mais comuns neste tipo de situação são cargas virais muito baixas (no início ou final da infeção) e problemas com a qualidade da amostra, incluindo a sua contaminação. A especialista nota que, se o enquadramento clínico o justificar, o presidente pode voltar a ser testado.

Germano de Sousa, ex-bastonário dos médicos e presidente do grupo de laboratórios com o seu nome, confia nos resultados do INSA e está seguro de que o presidente não tem covid-19.

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