Ranking

Mais de 80% das escolas com média positiva

Mais de 80% das escolas com média positiva

Menos notas negativas melhoraram a média das escolas. Se, no ano passado, cerca de um quinto teve média negativa nos resultados conseguidos pelos seus alunos nos exames, este ano foram 15,5% (98 escolas). O que significa que 84,5% conseguiram uma classificação positiva.

De resto, o ranking feito com base nos resultados dos exames mantém-se estável: os colégios mantêm a hegemonia nos primeiros lugares, numa listagem que volta a ser liderada pela Academia de Música de Santa Cecília (Lisboa) e a ter seis secundárias públicas entre os 50 primeiros lugares: Clara de Resende (Porto), Pedro Álvares Cabral (Belmonte), Eça de Queirós (Póvoa de Varzim), Estarreja, Tomaz Pelayo (Porto) e Artur Gonçalves (Santarém).

Comparando-se os contextos destas seis escolas públicas, verifica-se que a percentagem de percursos diretos de sucesso varia entre os 39,5% (Pedro Álvares Cabral) e os 52,1% (Clara de Resende). A percentagem de alunos com Ação Social Escolar ronda os 15% e nenhuma tem menos de 92% de professores nos quadros.

Para o secretário de Estado da Educação, João Costa, os rankings "não dizem rigorosamente nada sobre a qualidade de uma escola, porque premeiam práticas de retenção, para os alunos nem sequer chegarem a ir a exames, práticas de seleção à entrada. E muitas vezes dizem muito mais sobre a condição socioeconómica dos alunos ou do contexto onde a escola está do que propriamente sobre o trabalho que é feito".

As tabelas feitas com base nos percursos diretos de sucesso mostram que são as escolas públicas que mais promovem o progresso dos alunos. E as listagens das retenções a nível distrital, concelhio e por escola continuam a mostrar uma cultura de retenção, apesar de os níveis baixarem e de já ser possível encontrar 14 secundárias e dois concelhos (Fundão e Pedrógão Grande) sem chumbos no 12.º ano, em 2017. Especialistas ouvidos pelo JN insistem em que o acesso ao Ensino Superior tem de ser revisto.

"Infelizmente, até ao momento não houve vontade política. É algo que consideramos incompreensível e chocante. Não compreendemos como todos os anos haja centenas de jovens prejudicados nos seus percursos de vida devido a injustiças que podiam e deviam ser reparadas", insistem Tiago Neves e Gil Nata, investigadores da Universidade do Porto, referindo-se à persistência da inflação de notas. Em 2017: 110 escolas inflacionaram as notas dos alunos mais de quatro valores.

O presidente do Conselho de Escolas, José Eduardo Lemos, defende que na revisão curricular, promovida pela processo de flexibilização, "perdeu-se uma oportunidade de ouro para se corrigir o maior problema do Secundário: o enorme desequilíbrio de cargas horárias ao longo dos três anos do ciclo".

Imobusiness