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Protesto

Partidos reagem à greve dos professores

Partidos reagem à greve dos professores

As reações dos partidos com assento parlamentar à greve dos professores que decorrer esta quarta-feira em todo país.

PSD acusa Costa de "falta de vergonha" sobre congelamento de carreiras

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de "falta de vergonha" na questão do congelamento da progressão das carreiras dos professores, por ter alegadamente imputado responsabilidades ao anterior governo.

"Este é um padrão recorrente de falta de vergonha do doutor António Costa. E quero dizê-lo com estas letras todas e desta forma: quem congelou a progressão das carreiras foi o Governo do engenheiro Sócrates. Quem levou o país à pré-bancarrota foi o Governo do engenheiro Sócrates, onde o dr. António Costa foi número dois na altura e durante muito tempo, de resto durante todo o consulado do engenheiro Sócrates, foi número dois no Partido Socialista", disse Hugo Soares aos jornalistas, à margem de uma visita ao pinhal de Leiria.

"Se o dr. António Costa tem vergonha de ter estado com o engenheiro Sócrates, quer no partido, enquanto dirigente e número dois, quer no Governo, então o dr. António Costa que o assuma. Agora, o que ele deve também é ter vergonha de constantemente não assumir as suas responsabilidades", acrescentou o líder parlamentar do PSD.

Hugo Soares disse que o Governo "anuncia todos os dias que virou a página da austeridade" e que o país é hoje "absolutamente sustentável", com "crescimento esmagador, que já não há qualquer tipo de problema de consolidação das finanças públicas".

CDS-PP diz que posições dos sindicatos são "bons pontos de partida" para negociar

A deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa defendeu hoje que as posições dos sindicatos de professores são "bons pontos de partida, aceitáveis", para uma negociação, expressando compreensão pelo protesto dos docentes.

"À partida, as posições que os sindicatos estabelecem de uma convergência - consoante os sindicatos, a dois, quatro ou dez anos -, parecem-nos ser bons pontos de partida, aceitáveis, para uma negociação", defendeu a deputada centrista, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Ana Rita Bessa falava enquanto decorria a manifestação de professores em frente à Assembleia da República, em dia de greve nacional convocada por todos os sindicatos do setor para coincidir com a discussão na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2018 na Educação.

A deputada ressalvou que o CDS não tem os dados para fazer as contas, tendo já dirigido perguntas ao Ministério da Educação sobre o número de professores em cada escalão, mas defendeu as posições dos sindicatos e disse compreender os motivos do protesto.

"É preciso haver negociação, é preciso incluir os professores, é preciso fazê-lo com gradualismo e com critérios, mas o que não pode acontecer é que os professores sejam deixados de fora do conjunto dos funcionários da administração pública", defendeu.

O CDS argumentou que "o Governo ignorou os professores no Orçamento do Estado, ignorou o seu tempo de serviço, ignora muitos professores que, por esta razão, não vão conseguir chegar aos patamares de carreira relativamente aos quais tinham legítima expectativa de vir a alcançar".

Bloco de Esquerda apoia professores

"Não podemos ignorar quem constrói a escola pública", disse aos jornalistas a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, junto aos manifestantes. Para o Bloco, "não é aceitável ignorar a carreira dos professores".

A dirigente do Bloco considerou justa a luta dos docentes e lembrou que questionou no parlamento o primeiro-ministro, António Costa, sobre o descongelamento da carreira docente.

Catarina Martins defendeu que o Ministério da Educação tem de encontrar uma solução para os professores não serem penalizados no tempo de serviço.

"Não haja dúvida de que sem luta não se conseguem alcançar objetivos e a luta que os professores estão hoje aqui a travar é um contributo importantíssimo para que a solução para esse problema avance", defendeu o líder parlamentar do PCP ao falar aos jornalistas ao fundo das escadarias, onde se concentraram os professores.

"Isto é inadmissível", diz o PCP

"Não haja dúvida de que sem luta não se conseguem alcançar objetivos e a luta que os professores estão hoje aqui a travar é um contributo importantíssimo para que a solução para esse problema avance", defendeu o líder parlamentar do PCP ao falar aos jornalistas ao fundo das escadarias, onde se concentraram os professores.

O PCP, garantiu, apresentará a proposta necessária para garantir a contagem do tempo de serviço para os professores e para todos os trabalhadores da Administração Pública que se encontram na mesma situação dos docentes e que "correm o risco de ver tempo de trabalho deitado fora".

"Isso é inadmissível", declarou.

PEV solidário com professores

A deputada Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista Os Verdes, manifestou "total solidariedade" para com os professores e defendeu que o congelamento das carreiras "nunca deveria ter existido".

"O que os professores reclamam é justiça, que o seu tempo de serviço não seja apagado", disse.

Heloísa Apolónia afirmou que Os Verdes farão o seu trabalho no parlamento, mas considerou que é a luta dos professores que pode "mover o Ministério da Educação".