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Infraestruturas de Portugal registou 2522 atropelamentos de animais, mais de metade de espécies silvestres.
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Em 2017, a Infraestruturas de Portugal (IP) registou 2522 atropelamentos de animais nas estradas sob a sua gestão direta, um aumento de 4,4% face a 2016. A maioria foram animais silvestres, que representam 1604 ocorrências, contra as 918 ocorrências com animais domésticos (cães e gatos). Das espécies silvestres afetadas, mais de metade foram mamíferos (58% do total, com destaque para as raposas) e 27% foram aves. Os restantes foram répteis e anfíbios.
Os dados constam do Relatório de Monitorização da Mortalidade de Fauna nas Estradas da IP de 2017, um documento que analisa a mortalidade animal, identifica pontos negros e dá nota de ações que estão a ser desenvolvidas para mitigar os problemas.
Mas os números pecam por defeito. A periodicidade com que as unidades da IP passam e a velocidade a que circulam originam uma "subestimação do número de animais atropelados", explica Graça Garcia, autora do documento.
Para este trabalho, a IP colocou dados recolhidos nos 13 636 km de estradas sob a sua gestão direta, mas deu particular atenção à informação recolhida numa amostra de troços selecionados e aos animais silvestres. Foram assinalados 18 troços de estrada nos distritos de Évora, Setúbal e Castelo Branco, onde a mortalidade da fauna silvestre tem sido mais significativa. Ali, as unidades da IP passaram todas as semanas e a recolha de dados foi feita de forma estandardizada.
Morcegos em risco
Para Évora, a IP contou com a colaboração do projeto Life Lines, da Universidade de Évora, que percorre as estradas do distrito diariamente para avaliar os impactos negativos das vias na fauna e promover medidas de mitigação. António Mira, responsável do Life Lines, está particularmente preocupado com o impacto da "mortandade acrescida" nos morcegos e anfíbios (sapos, rãs, salamandras, etc.).
"Os morcegos, que são importantes do ponto de vista de conservação e têm um estatuto de criticamente ameaçados, morrem muito nas estradas", explica. No caso dos anfíbios, "há estudos que indicam um declínio global e os atropelamentos nas estradas contribuem para isso. Às vezes, morre 50% a 70% da população", diz. A mortandade passa despercebida porque os predadores vão buscar os corpos, os animais são projetados para longe das vias ou, no caso dos anfíbios, porque se deterioram muito rápido.
E o que se conhece é a ponta do icebergue. "Temos um estudo que dá conta de que, por ano, morrem entre 60 e 120 animais por quilómetro de estrada". Daí que medidas mitigadoras sejam urgentes.
