Investigação

Raríssimas defende-se: "É essencial uma imagem adequada da representante"

Raríssimas defende-se: "É essencial uma imagem adequada da representante"

A Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras já reagiu à reportagem emitida este sábado à noite pela TVI, que acusa a presidente da instituição de levar uma vida de luxo à custa de subsídios públicos destinados à instituição.

Os factos apresentados, que estão a ser investigados pela Polícia Judiciária, colocam em causa a gestão da presidente da associação, Paula Brito e Costa, que acumulará, além dos três mil euros de ordenado base, 1300 euros mensais em ajudas de custo isentas e cerca de 1500 euros em viagens entre casa e trabalho, além dos 800 euros num Plano Poupança Reforma (PPR).

Em comunicado publicado na página de Facebook da Raríssimas, a direção reitera que as acusações apresentadas na reportagem são "insidiosas" e apresentadas de "forma descontextualizada", garantindo que os valores dos vencimentos apresentados foram "artificialmente inflacionados".

"A Raríssimas tem por base a tabela salarial definida pela CNIS (Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social) para a definição dos vencimentos dos seus colaboradores", pode ler-se na nota, que garante que "toda a documentação, designadamente despesas efetuadas pela presidente da Raríssimas em deslocações e em representação da instituição, está registada contabilisticamente e auditada, tendo sido aprovada por todos os órgãos da direção".

Quanto à alegada falta de sustentabilidade financeira, confirmada à TVI por Jorge Nunes, tesoureiro da Raríssimas entre 2010 e 2016, a direção defende que a mesma "não está em causa" e que é "garantida pelos serviços que presta aos utentes".

O trabalho de investigação, assinado pela jornalista Ana Leal e apoiado em centenas de documentos, revela mapas de deslocações fictícias, faturas de gasolina duplicadas, e viagens ao estrangeiro pagas com verbas da associação, que suportam ainda roupas de luxo e gastos pessoais, que vão desde os 230 euros em gambas do supermercado até à prestação de 900 euros do BMW conduzido por Paula Brito e Costa.

A direção justifica as viagens, "aprovadas em orçamento", com a necessidade de "internacionalização" da Raríssimas, fundamental para partilhar "políticas de apoio aos doentes raros e identificação das doenças raras". E defende as faturas de roupas (mais de 800 euros no El Corte Inglés) assim: "Para o exercício da função de representação institucional da Instituição, é essencial uma imagem adequada da sua representante".

No comunicado - que antecede o direito de resposta que a direção deverá emitir nas próximas horas - a direção acusa a TVI de ter recorrido a material áudio e vídeo que obtido de "forma ilícita", "sem autorização dos intervenientes" e que "descontextualiza" os factos.

A Raríssimas sublinha ainda que "não existiu disponibilidade para considerar factos que a direção se prestou a fornecer", apontando o dedo a uma "narrativa predefinida" que não deu "oportunidade de contraditório".

"Assistimos assim a um estilo de jornalismo de emboscada baseado em informações manipuladas, ao serviço de interesses obscuros e sem qualquer motivação de conhecer a verdade", lê-se.

A Raríssimas é uma associação sem fins lucrativos que presta tratamento diário a mais de 300 adultos e crianças portadores de doenças raras. Com 15 anos de atividade, a instituição pioneira (tem o único centro integrado de doenças raras do mundo) conta com uma equipa técnica composta por cerca de 200 profissionais e com várias unidades de saúde.