Governo

Saída de secretária de Estado agita águas socialistas

Saída de secretária de Estado agita águas socialistas

Vários dirigentes socialistas questionaram, esta sexta-feira, a substituição da secretária da Estado da Igualdade Catarina Marcelino, pela surpresa que provocou a sua saída.

O coro de críticas estende-se a várias ativistas e algumas associações que lutam contra a discriminação e igualdade de género. Marcelino já veio dizer que não saiu por "vontade própria".

A substituição de Catarina Marcelino por Rosa Lopes Monteiro, conhecida ao início da noite desta sexta-feira, foi logo questionada por dois deputados socialistas: Porfírio Silva e Isabel Moreira. Aliás, o primeiro, que integra o Secretariado do PS, exigiu "conhecer tais razões políticas" que levaram ao seu afastamento. "Não acredito que a política possa ser o reino do arbitrário", refere o deputado socialista, que integra o núcleo duro de António Costa no partido.

"Catarina Marcelino saiu da Secretaria de Estado da Cidadania e da Igualdade. Foi a melhor representante da igualdade de que tenho memória. Em todas as áreas. Todas. Uma feminista assumida, empenhada e reconhecida por quem trabalha na área. Não percebo. Não percebo. E não estou sozinha nesta avaliação", referiu, por outro lado, Isabel Moreira. Nos murais de ambos os deputados não faltam comentários de apoio à agora ex-governante.

Os elogios estendem-se a colegas de Governo, como o secretário de Estado da Educação, João Costa, ou o secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, cujos textos são depois acompanhados de críticas e de estupefação generalizada. No Facebook de Carlos Miguel, a deputada do PS Idália Moniz, que integra a mesa da Assembleia da República, não deixa de mostrar surpresa no comentário que fez.

Também a apresentadora Rita Ferro Rodrigues, que está à frente da associação feminista "Capazes", admitiu no Twitter que está "indignada e muito triste" com o caso. Num outro tweet alerta para o "prejuízo enorme" que será o abandono do trabalho desenvolvido por Marcelino.

As explicações para o que está na origem da substituição partiram da própria Catarina Marcelino, no seu Facebook, a meio da noite desta sexta-feira. "Tenho por hábito dizer que estou de Secretária de Estado. Estamos e a qualquer momento podemos deixar de estar. Foi o que aconteceu hoje comigo. Não saio por vontade própria, mas porque a Ministra que vai tutelar a pasta entendeu, no seu pleno direito, escolher outra pessoa", referiu a ex-governante, antropóloga de formação.

Na reformulação levada a cabo no Governo, a Secretaria de Estado da Igualdade transitou do Ministério da Administração Interna para a tutela do Ministério da Presidência, liderado por Maria Manuela Leitão Marques. Segundo o esclarecimento de Marcelino, terá partido então da ministra da Presidência o travão à continuidade de Marcelino no Governo e a escolha de Rosa Lopes Monteiro para o seu lugar.