
Fábio Santos
Rui Manuel Fonseca/Global Imagens
Fábio Santos, de 28 anos, natural de Pombal, viajava esta sexta-feira no comboio Celta com a namorada, quando se deu o acidente em Porriño, Espanha, que matou quatro pessoas.
Seguia na última carruagem. Ambos saíram pelo próprio pé da composição, mas os ferimentos da jovem de 27 anos que seguia com ele revelaram-se mais graves do que aparentavam inicialmente. Sofreu fraturas na coluna, está internada num hospital em Vigo, mas está fora de perigo. Ele tem apenas nódoas negras.
Fábio ainda não acredita na "sorte" que tiveram. "O facto de estar aqui sem dores, sem nada, faz-me pensar como é que isto foi possível. Compramos o bilhete ontem à noite, calhamos na última carruagem. Se os tivéssemos comprado hoje poderíamos ir nas carruagens da frente", diz.
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Admite que o comboio poderia circular a "muita velocidade" quando o acidente aconteceu. "Faz-nos pena a morte do revisor. Tinha acabado de nós picar o bilhete há cinco minutos. Deixa-nos uma marca", lamenta, lembrando que após o acidente "as pessoas estavam todas em choque".
O acidente ocorreu nas imediações da estação espanhola de Porriño, cerca das 9.30 horas da manhã, hora local, 8.30 horas em Portugal continental. Tinha chegada prevista ao Porto para as 10.12 horas.
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Pelo menos quatro pessoas morreram e cerca de 50, de várias nacionalidades, ficaram feridas. O presidente da CP, Manuel Queiró, confirmou que as vítimas mortais são o maquinista, português, dois funcionários da Renfe, um deles revisor, e um cidadão norte-americano. Confirmou ainda que três dos feridos são portugueses. A mesma informação foi avançada pela presidente a Câmara de Porriño, Eva Garcia de La Torre.
Segundo apurou o JN, o maquinista é José Arnaldo Moreira, de 45 anos. Natural de Barroselas, Viana do Castelo, o maquinista residia em Ermesinde, Valongo.
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, informou que 12 pessoas feridas continuam hospitalizadas, mas sublinhou que nenhuma corre perigo de vida.
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Segundo o ministro do Fomento de Espanha, Rafael Catalá, o comboio fez a inspeção em maio e estava "em perfeito estado de funcionamento". Quinta-feira, a locomotiva fez uma inspeção de rotina no Porto.
"Não é um comboio muito antigo", disse o presidente da CP, Manuel Queiró, contrariando as palavras da presidente da Câmara de Porriño, Eva Garcia de La Torre, que, horas antes, tinha dito que a locomotiva tinha vagões muito deteriorados.
