Conferência JN

João Cravinho: Sem regionalização, Portugal será uma "província" de Espanha

João Cravinho: Sem regionalização, Portugal será uma "província" de Espanha

João Cravinho, antigo ministro do PS, defende que, se não houver regionalização, Portugal poderá tornar-se uma espécie de "província" de Espanha. O ex-governante destaca os desequilíbrios territoriais cada vez mais pronunciados do país.

"Se não nos diferenciarmos e não tivermos um território que seja visto como uma mais-valia" no plano da União Europeia, Portugal tornar-se-á uma "província" de Espanha "que se perdeu no tempo e tem de recuperar economicamente", afirmou João Cravinho esta quarta-feira.

O antigo ministro da Administração do Território do Governo de António Guterres falava na conferência "Que Regionalização Queremos?", promovida pelo JN, em Setúbal. Durante a intervenção, recordou que o número de multinacionais na Península Ibérica que apenas optam por se fazer representar em Madrid "já tem algum significado".

Cravinho, que presidiu à Comissão Independente para a Descentralização e é um defensor da regionalização, mostrou-se preocupado com a situação demográfica nacional.

Durante a conferência, mostrou um mapa em que Portugal surge com várias zonas a vermelho - o indicador "mais baixo" em termos de potencial de crescimento deste indicador a médio prazo, explicou.

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"Sabem como os espanhóis chamam aos seus territórios vermelhos? A Espanha vazia", disse, alertando para o facto de o país vizinho viver uma situação análoga.

Argumentando que "não há estratégica" para ambos os países no capítulo da demografia, Cravinho questionou: "O que será a Península Ibérica dentro de 20 anos?".

Maior "convergência" entre regiões... mas por maus motivos

O antigo ministro, que expôs algumas das recomendações do relatório resultante dos trabalhos da Comissão, disse que tem existido, em Portugal, uma "significativa" convergência das regiões. No entanto, salientou que ela não ocorre pelas melhores razões.

João Cravinho esclareceu que essa aproximação resulta, por um lado, da quebra do PIB per capita na região da Grande Lisboa; por outro, tem sido também provocada pela perda de população das regiões menos ricas, o que inflaciona artificialmente a média do rendimento individual.

Regionalizar para reformar Administração Central

Cravinho sustentou que a regionalização representa, sobretudo, uma "oportunidade absolutamente imperdível para fazer a grande reforma da Administração Central". O atual estado de coisas, argumentou, deixa a descoberto "inúmeras omissões e incoerências".

Essa reforma, insistiu, "só é possível quando se fizer a regionalização". Segundo João Cravinho, uma outra vantagem da criação de regiões administrativas seria o desencadeamento de um "processo de aprofundamento democrático" que aproximaria os cidadãos da política".

Cravinho vincou, contudo, que a regionalização deve fazer-se tendo em conta os diferentes pontos de vista existentes no país acerca da mesma. Caso contrário, defendeu, o processo transforma-se numa "cacofonia" que "não serve o interesse nacional".

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