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Líder do CDS recusa participar em Governo apoiado pelo PAN

Líder do CDS recusa participar em Governo apoiado pelo PAN

O líder do CDS afirmou ser "absolutamente impossível" vir a participar num Governo apoiado pelo PAN, referindo também que nem lhe passa pela cabeça que o seu partido perca deputados. Já Inês Sousa Real, porta-voz do partido animalista, não excluiu apoiar um Executivo que inclua o CDS e garantiu que assumirá responsabilidades caso falhe o resultado de há dois anos.

No debate entre CDS e PAN, esta terça-feira, o líder democrata-cristão rejeitou integrar qualquer Governo que precise de se sustentar no PAN. Francisco Rodrigues dos Santos acusou esse partido de querer ser "juiz dos costumes alheios" e de estar a "destruir o mundo rural".

Em resposta à mesma questão, Inês Sousa Real referiu que "teriam de ser as outras forças políticas a vir ao encontro do PAN" e que, em primeiro lugar, o CDS teria de "conseguir aproximar-se do séc. XXI". O PAN, recorde-se, já admitiu vir a apoiar futuros Executivos liderados tanto pelo PS como pelo PSD.

No frente-a-frente da RTP 3, Rodrigues dos Santos disse estar "absolutamente convencido" de que o CDS terá um bom resultado. "Nem sequer considero o cenário de perder deputados", acrescentou, afastando o cenário de demissão. Em 2019, os democratas-cristãos elegeram cinco parlamentares.

Inês Sousa Real foi menos expansiva quando confrontada com a mesma pergunta. A porta-voz do PAN apenas referiu que, caso o seu partido perca um dos quatro deputados que conseguiu há dois anos, a direção que encabeça "estará cá para assumir as responsabilidades".

Touradas agitam debate

O presidente do CDS adotou um estilo agressivo, acusando o PAN de ser "um lobo com pele de cordeiro", de ter uma "agenda ditatorial" e de "colocar os direitos dos animais à frente dos das pessoas". Também propôs uma redução das faturas de eletricidade e dos combustíveis para 30%, acusando a sua adversária de recusar reduzir impostos por "querer impor o seu modo de vida aos portugueses".

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Sousa Real argumentou que a "carga fiscal" pode ser aliviada "se se taxarem as atividades poluentes", referindo que estes recebem uma borla fiscal de "mais de 500 milhões de euros ao ano". A justiça social e a justiça ambiental "não têm de ser antagónicas", frisou, advogando a revisão dos escalões do IRS como forma de desonerar os impostos a pagar.

A líder do PAN também abordou o tema das touradas, classificando essa atividade como "anacrónica" e "cruel para com os animais". Alegou que o Estado lhe destina 16 milhões de euros por ano em subsídios e que só a praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, conta com isenções de 12 milhões de euros anuais.

Já Rodrigues dos Santos defendeu que a tauromaquia tem "raízes sociais profundas" e que há, em Portugal, mais aficionados do que eleitores do PAN. Querer "acabar com as touradas" prova, no entender do líder democrata-cristão, que o PAN é "um partido ditador".

O presidente do CDS trouxe ainda a debate o tema das estufas em que Inês Sousa Real investiu: "É a maior crítica dos agricultores mas tem estufas no Montijo", acusou. A líder do PAN afirmou que esse tema se enquadra na série de "ataques concertados" que a Confederação Portuguesa dos Agricultores e os "interesses instalados" lhe dirigem.

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