Tomada de posse

As cinco prioridades de Marcelo para o novo mandato

As cinco prioridades de Marcelo para o novo mandato

"Os portugueses são a única razão de ser do compromisso solene que acabei de assumir", disse Marcelo Rebelo de Sousa, ao tomar posse para um segundo mandato como presidente da República, esta terça-feira, e assumindo cinco prioridades.

Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse, esta terça-feira, para um segundo mandato como presidente da República, dizendo que o fez a pensar nos "portugueses" e em Portugal. "Hoje, como há cinco anos, Portugal é a única razão de ser do compromisso solene que acabo de assumir. E dizer Portugal é dizer os portugueses", começou por dizer Marcelo Rebelo de Sousa, para reforçar: "Os portugueses são a única razão de ser do compromisso solene que acabo de assumir".

Como seria de esperar, Marcelo Rebelo de Sousa ocupou-se do último ano, que considerou "demolidor" por causa "da pandemia na vida e na saúde", a que "se juntou a pandemia na economia e na sociedade".

"É justa a indignação dos sacrificados pelas duas pandemias", considerou o chefe Estado, embora vincando que seria quase impossível não terem sido cometidos alguns erros.

A seguir, Marcelo Rebelo de Sousa pediu "melhor democracia", sem "o mito do português puro". "Uma democracia ética e republicana na limitação dos mandatos, estabilidade sem pântano", assinalou, para prometer que essa será a sua primeira missão.

A segunda prioridade, para Marcelo, como o disse na noite eleitoral, é combater a pandemia. Já a terceira será a reconstrução "da vida das pessoas, que é tudo o quase tudo, emprego, rendimento, empresas, saúde mental, laços sociais, vivências e sonhos". "É mais, muito mais do que recuperar", considerou o presidente da República, falando em reforma administrativa, na luta contras a proteção, na descentralização "toda aquela que os portugueses quiserem".

"Só haverá, porém, verdadeira reconstrução se a pobreza se reduzir", sustentou Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que a coesão social é a sua quarta missão prioritária. "Queremos mais investimentos mas queremos mais do que isso. Reconstruir a vida das pessoas com a economia a crescer é impossível", afirmou.

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Já a quinta missão, é aprofundar a nossa cultura além oceanos, desejando, por exemplo, a reeleição de António Guterres. "É, no fundo, afirmar um sempre renovado patriotismo, das pessoas, do futuro, que os mais jovens assumem como ninguém, contra ventos e marés, contra pandemias na vida", referiu Marcelo Rebelo de Sousa.

"Resta lembrar o óbvio, sou o mesmo de há cinco anos. Nos mesmos exatos termos, eleito e reeleito para ser o presidente de todos, com proximidade, afeto, preferência pelos excluídos, rejeição de mecanismos presidenciais, no respeito pela diferença na construção da justiça social, no orgulho de ser português", apontou Marcelo Rebelo de Sousa, garantindo que será assim com "qualquer maioria parlamentar". "Que os próximos cinco anos podem ser mais de esperança do que de desilusão. Temos que acreditar! Vamos acreditar", finalizou.

O dia começou com o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, cumprir a formalidade de abrir a sessão solene de tomada de posse, às 10 horas desta terça-feira, para a suspender, de seguida, e ir receber o chefe de Estado e convidados.

""Está aberta a sessão de tomada de posse do presidente da República, que suspendo em seguida para receber os convidados e o senhor presidente da República, que é também o Presidente eleito. Retomaremos os nossos trabalhos cerca das 10.30 horas, muito obrigada e até já. Está supensa a sessão", anunciou apenas Ferro Rodrigues.

Antes de ocuparem os seus lugares, enquanto aguardavam pelo início da sessão, os deputados (apenas 50 dos 230, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19) foram conversando de pé em pequenos grupos concentrados, todos de máscara, mas nem sempre com a distância recomendável.

Cumprindo a o protocolo da sessão solene, o primeiro-ministro, António Costa, chegou à Assembleia da República pelas 10.10 horas, tendo sido recebido pela vice-presidente do Parlamento, a deputada socialista Edite Estrela.

Pelas 10.15 horas, o presidente da Assembleia da República, dirigiu-se à escadaria exterior do Palácio de São Bento, onde recebeu honras militares da Guarda de Honra, aguardando a chegada do presidente da República, que chegou às 10.20 horas, tal como há cinco anos a pé.

Após receber honras militares, escutar o hino nacional e passar revista à Guarda de Honra, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado por Ferro Rodrigues, entrou no Palácio de São Bento e dirigiu-se à Sala de Visitas da Presidência, onde cumprimentou o primeiro-ministro.

A sessão solene foi retomada cerca das 10.30 horas. Depois da posse, coube, de novo, a Ferro Rodrigues fazer o primeiro discurso. "É um dos atos mais importantes da nossa democracia", considerou o presidente do Parlamento, justificando as razões pelas quais a cerimónia teve que ser uma dimensão mais contida.

"O formato restrito da cerimónia não lhe retira significado", acrescentou, dizendo que a Assembleia da República recebeu Marcelo Rebelo de Sousa com "emoção" e com "uma saudação especial" pela forma como decorreu a eleição e pelo resultado eleitoral. "Foi uma lição de cidadania que engrandeceu a democracia portuguesa", considerou Ferro Rodrigues, elogiando, de seguida, o primeiro mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da Assembleia da República enalteceu ainda "o papel de moderador" de Marcelo Rebelo de Sousa, que impediu a ocorrência de crises políticas em momentos negativos como os dos incêndios de 2017 e o da pandemia de covid-19.

E falou da atualidade para defender o novo aeroporto no Montijo. "A discussão do novo aeroporto já leva 52 anos, Há um momento em que é necessário dar a discussão como concluída e decidida. A avaliação faz-se nas urnas", defendeu, defendendo ainda união contra os fenómenos populistas e o terrorismo.

"É um fenómeno que explora, oportunista que é, os receios da população e as dificuldades que os governos democráticos têm manifestado na resposta às suas inquietações - e que perturbações como a pandemia tendem a acentuar. É um fenómeno que se aproveita do atual afastamento de parte da população em relação às instituições, partidos políticos, associações ou sindicatos tradicionais, que sentem muitas vezes já não os representar", referiu Ferro Rodrigues, defendendo que não se podem "afrouxar os cuidados perante sinais deste perigo".

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