Ensino

Medo da pandemia leva alunos a faltarem às aulas

Medo da pandemia leva alunos a faltarem às aulas

Os Agrupamentos de Tavira e de Mangualde já reabriram, mas houve muitos estudantes que optaram por não ir à escola. Em Reguengos de Monsaraz, a covid-19 suspendeu aulas presenciais.

O Agrupamento de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia, em Tavira, e o Agrupamento de Escolas de Mangualde reabriram esta segunda-feira as portas para iniciarem o segundo período, mas houve muitos alunos que não compareceram à chamada. A explicação avançada pelos diretores prende-se com o receio manifestado pelos pais que os filhos sejam infetados com covid-19, tendo em conta a subida significativa do número de casos nos dois concelhos.

"Hoje, tivemos menos de 50% dos alunos, do 1º ao 12º anos, porque os pais têm medo", assegura o diretor do Agrupamento de Escolas de Tavira. A indicação recebida da parte do Ministério da Educação foi para cumprirem a lei e marcarem faltas. "Estou a aconselhar os diretores de turma a usarem o bom senso, mas a partir da terceira falta é mais complicado", admite.

José Baía contesta que as aulas presenciais tenham sido retomadas hoje, pois o número de casos ativos duplicou no concelho. "Fizemos uma reunião da Comissão da Proteção Civil e deliberámos, por unanimidade, que os alunos deviam continuar a ter aulas à distância. Não percebemos porque nos foi transmitido o contrário, na sexta-feira à noite", observa.

"Não tivemos casos de contágio na escola, mas o que está em causa é lá fora, onde o risco é extremamente elevado", sublinha. Defensor do ensino presencial, entende que, nestas circunstâncias, os estudantes deviam ter apenas aulas online. Sobretudo, os do secundário, porque já são mais autónomos.

Receio de contágio

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O diretor do Agrupamento de Escolas de Mangualde, António Figueiredo, também se manifesta desagradado por terem retomado as aulas presenciais hoje, apesar de existirem 1500 casos por 100 mil habitantes no concelho. "Houve muitos alunos a faltar, em todas as turmas, porque os pais têm receio de contágio", garante.

"É temerário retomar as atividades. O agrupamento devia estar fechado, pelo menos, mais uma semana, para serenarem os casos", defende António Figueiredo. Garante, por outro lado, que têm todas as condições para assegurar o ensino online, pois têm equipamentos e professores experientes, por serem uma escola polo do ensino recorrente à distância. Admite, contudo, que os alunos do 1º e do 2º ciclos continuem a ir às aulas presenciais, por não existirem condições para ficarem em casa, já que, pelo menos, um dos pais teria de ficar com eles.

No concelho de Mêda, o número de casos subiu para 4500 em 100 mil habitantes, pelo que o Agrupamento de Escolas vai manter as aulas online para os 386 alunos do pré-escolar ao 12º ano, até 15 de janeiro. "Acho que foi a melhor opção que tomámos, para quebrar as cadeias de contágio, que nos afetam a todos", afirma Luís Lopes, diretor. Os estudantes desfavorecidos estão a ser apoiados pelo Agrupamento, pelo Município ou pelas Juntas, para que possam ter acesso a computadores e à internet.

Assistentes infetadas

Duas assistentes operacionais infetadas na escola-sede do Agrupamento de Escolas de Reguengos de Monsaraz determinaram a suspensão das aulas presenciais. O diretor, António Ribeiro, explica que, esta segunda-feira, tinham menos de metade dos assistentes operacionais, por se encontrarem em isolamento profilático, pelo que não foi possível garantir a higienização dos espaços e a abertura do bar e da cantina.

António Ribeiro revela ainda que na EB António Gião, os alunos do 7º e do 8º anos também vão ter apenas aulas à distância, pelo menos esta semana. "Alguns alunos testaram positivo à covid-19, mas a esmagadora maioria é contacto de risco", afirma. Os professores também estão em confinamento. As aulas decorrem através de sessões síncronas e assíncronas.

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