Covid-19

Menos óbitos e novos casos. "Temos de olhar com cautela"

Menos óbitos e novos casos. "Temos de olhar com cautela"

Desde 1 de março foram realizados 224 mil testes, 64% dos quais neste mês de abril. Apesar de estarem a ser feitos mais testes, o número de novos casos e óbitos baixou. "Temos de olhar estes números com cautela", defende a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Portugal regista 181 novos casos de Covid-19 (tinham sido mais 750 na quinta-feira) e mais 28 óbitos (tinha aumentado 30 na quinta-feira), o que representam os valores mais baixos em cerca de um mês e na última semana, respetivamente.

"É um número fiável", garantiu Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, na conferência de imprensa diária sobre a evolução epidemiológica da Covid-19. "Mas temos de olhar com cuidado. É um dia. Temos que olhar uma série temporal", acrescentou.

"É um número consistente, quer com o planalto [da curva de evolução] em que estávamos, quer com a tendência de descida do planalto e com as projeções", explicou.

"Temos de esperar alguns dias", recomendou, salientando que "temos tido um achatamento da curva - isso é notório ao longo dos dias - e que temos tido um planalto com tendência descendente. Temos de esperar mais uns dias para perceber o significado do número de hoje. Vamos olhar estes números com cautela".

Apesar de se registarem valores mais baixos de novos casos e óbitos, esta sexta-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, indicou que, "desde 1 de março foram processadas cerca de 224 mil amostras para diagnóstico Covid-19- 10,5% com resultado positivo - e mais de 64% destas amostras foram processadas já este mês".

O dia "15 de abril foi o dia com mais amostras processadas, mais de 12600, das quais apenas 7,2% eram positivas", indicou o governante.

"Ultrapassamos a nossa capacidade instalada de 11 mil testes/dia e o aumento do número de testes não se reflete num aumento proporcional de amostras positivas", frisou António Lacerda Sales, indicando que esta semana foram distribuídos mais 272 mil testes pelas administrações regionais de saúde, Açores e Madeira., ou seja, "mais oito mil do que inicialmente previsto".

"Em breve serão distribuídos em Portugal os primeiros cinco mil testes de biologia molecular, que são testes que permitem resultados em cerca de 45 minutos/1 hora e que devem ser usados preferencialmente em ambiente hospitalar, por exemplo, em casos de urgência, de pré-cirurgia ou de tratamentos no âmbito da oncologia", anunciou António Lacerda Lopes.

O secretário de Estado da Saúde informou que "foi reforçada a capacidade nacional de ventiladores em mais 426" provenientes de "encomendas, doações e empréstimos" mas também do "esforço de recuperação de ventiladores já existentes" - foram recuperados 87 ventiladores do SNS.

O governante reconheceu "os atrasos na entrega de ventiladores provenientes do mercado chinês" e revelou que "65 ventiladores de uma encomenda de 500 já se encontram na Embaixada de Portugal em Pequim, aguardando a realização do próximo voo da TAP. Está prevista a sua chegada a Portugal no início da próxima semana".

A terceira fase do estado de emergência é "uma fase muito importante" para a recuperação de consultas e cirurgias de casos não Covid-19. Administrações regionais de saúde e instituições hospitalares estão "a encetar planos de recuperação, aproveitando algumas das novas metodologias que foram introduzidas com esta crise, como consultas à distância e teleconsultas", referiu António Lacerda Sales.

Portugal" terá na ordem dos 250 [médicos] intensivistas" mas "há um conjunto de profissionais para além dos intensivistas aptos para utilizar ventiladores e trabalhar nas unidades de cuidados intensivos em conjunto e de forma interdisciplinar", apontou o secretário de Estado, referindo-se por exemplo a anestesiologistas, pneumologistas e internistas.

Graça Freitas foi questionada sobre se a utilização de máscara vai ser obrigatória e respondeu que a recomendação de utilização de máscaras sociais ou comunitárias surge no âmbito de "um conjunto de medidas recomendadas e que não têm sido obrigatórias". E voltou a enumerar: "a medida primordial é a higiene das mãos, a outra medida primordial na prevenção é o distanciamento social e outra ainda é a etiqueta respiratória".

"Temos insistido muito nos últimos dias na limpeza das superfícies (...) porque o vírus sobrevive durante horas ou até dias em superfícies", acrescentou.

"E é neste contexto que surge, como mais uma medida barreira, a recomendação para que possam utilizar máscaras" comunitárias ou sociais.

"Este conjunto de medidas está a ser preconizado em vários países para nos permitir sair da fase de confinamento e isolamento domiciliário, ou seja, quando retomarmos a nossa atividade profissional e escolar" isso "terá de ser feito com muitas alterações àquilo que era a nossa rotina".

"O vírus tem vida própria e tende a expandir-se" e "vamos levantar as medidas de contenção e ter de contrariar a atividade do vírus", frisou.

"Existem realidades regionais e realidades locais diferentes. Não temos uma situação uniforme de Norte a Sul. Mesmo na região Norte o que temos são focos da doença e esses focos geograficamente estão separados por outros focos por zonas que não têm praticamente a doença", disse Graça Freitas.

Questionada sobre se estão a ser equacionadas medidas diferentes para o Norte do país, região que regista mais casos de Covid-19, a diretora da DGS disse que "a avaliação do risco é feita em função da evolução da epidemia e é feita pelas autoridades de saúde territorialmente competentes e que se articulam com as autarquias e os mecanismos municipais de Proteção Civil. Decidem em conjunto se são necessárias medidas a mais. É sempre uma decisão local e regional primeiro e que depois é submetida a nível nacional".

António Lacerda Sales indicou que "a taxa de letalidade global é de 3,5% (3,3 na quinta-feira) e a taxa de letalidade acima dos 70 anos é de 12,4% (12% na quinta-feira)".

"Começamos a ter uma boa caracterização" em relação às vítimas mortais, nomeadamente quanto ao sexo e grupo etário, de acordo com Graça Freitas. "Verifica-se um padrão que tem sido consistente ao longo do tempo, de que a mortalidade situa-se sobretudo nas pessoas maiores de 70 anos, com um predomínio superior a 80%".

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