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Montenegro no purgatório à sombra de Ventura

Montenegro no purgatório à sombra de Ventura

Costa é o líder com pior avaliação, mas social-democrata também cai e perde luta pela liderança da Oposição.

António Costa desceu do céu ao inferno em nove meses. E essa deveria ser uma boa notícia para o seu principal rival, Luís Montenegro. Sucede que o líder social-democrata caiu, por sua vez, no purgatório: afunda-se na avaliação dos portugueses (saldo negativo de 18 pontos); é atropelado por André Ventura na liderança da Oposição e da Direita; e o PSD desce nas intenções de voto.

Ainda que a iniciativa estivesse condenada ao fracasso, foi o líder do Chega quem tomou a liderança no combate ao atual Governo, ao apresentar uma moção de censura. E é sempre o primeiro a pedir a demissão de qualquer governante que surja nas notícias por más razões. O resultado está à vista: não só os radicais de Direita são o partido que mais cresce desde as legislativas, como o seu líder ganha o reconhecimento de uma fatia importante dos portugueses.

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Líder da Oposição

Quando o que está em causa é indicar quem é a principal figura da Oposição, Ventura volta a deixar Montenegro para trás: depois de um empate a 30 pontos em outubro passado, o líder do Chega tem agora uma vantagem de 12 pontos. Quando se acrescenta uma nova pergunta, sobre quem se destaca na liderança da Direita parlamentar, a diferença é ainda maior: 16 pontos de vantagem sobre o social-democrata (que, recorde-se, não é deputado).

Há apenas um indicador em que André Ventura ainda está pior do que Luís Montenegro. Na avaliação qualitativa dos portugueses, e apesar do trambolhão do social-democrata (passa de saldo negativo de um para 18 pontos), o líder da Direita radical tem um registo negativo de 26 pontos. Pior, só António Costa, que durante vários anos foi o único líder partidário com saldo positivo e tem agora um saldo negativo de 32 pontos.

Cotrim sai em alta

O único líder partidário que consegue, desta vez, uma avaliação positiva é, paradoxalmente, aquele que deixa o cargo precisamente neste fim de semana. João Cotrim de Figueiredo sai da liderança da Iniciativa Liberal com um saldo de cinco pontos positivos. E, mais importante ainda, com o partido num patamar que nenhuma das sondagens anteriores tinha projetado, duplicando o resultado das legislativas do ano passado.

O próximo líder terá um problema espinhoso quando for possível fazer comparações. Sobretudo se tivermos em conta que são três vezes mais os inquiridos que pensam que a saída de Cotrim terá efeitos negativos no partido (32%) dos que os que vislumbram efeitos positivos (11%). No caso dos eleitores liberais, são quatro vezes mais: 54% dizem que será negativo, 13% que será positivo.

36% Paulo Raimundo substitui Jerónimo de Sousa como líder do PCP e uma pluralidade de inquiridos considera que foi uma boa decisão (36%). Mas 49% dos inquiridos refugiam-se numa resposta neutra ou nem sequer emitem opinião.

28% O novo secretário-geral comunista acumula mais avaliações negativas do que positivas (13%), mas arranca com um lastro menor do que o de Jerónimo, que tinha um saldo negativo de 44 pontos (Paulo Raimundo parte com 15 negativos).

0 Para além do liberal Cotrim, só há mais um político que escapa à avaliação negativa: Rui Tavares, que, não sendo líder do Livre, é a sua figura mais conhecida, por ser deputado único. Tem 21% de positivas e de negativas e, portanto, saldo zero.

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