Conferência de imprensa

Cerco sanitário no Porto "não faz qualquer sentido", diz secretário de Estado

Cerco sanitário no Porto "não faz qualquer sentido", diz secretário de Estado

O secretário de Estado da Saúde afastou o eventual cerco sanitário que estaria a ser estudado para o Porto. O subdiretor-geral da Saúde admitiu um erro na contagem de ontem e explicou por que razão continua a haver apenas 43 doentes curados.

Questionado sobre a possibilidade de avançar um cerco sanitário na cidade do Porto, na conferência de imprensa de hoje, o secretário de Estado da Saúde esclareceu que "não houve qualquer indicação da autoridade de saúde nesse sentido" e que "por isso, neste momento, não faz qualquer sentido essa situação". A hipótese, muito criticada por Rui Moreira, tinha sido levantada ontem por Graça Freitas, mas António Lacerda Sales explicou que a diretora-geral da Saúde não estava a referir-se "especificamente" ao caso do Porto, mas sim de forma genérica.

"Toda a confiança" na DGS

Confrontada com eventuais contradições nas declarações e recomendações da Direção-Geral da Saúde, o governante atribuiu-as à "proporcionalidade e evolução do surto". "Todas as determinações da DGS têm sido confirmadas e estão em convergência com as organizações internacionais. Portanto (...) só podemos dizer que subscrevemos toda a confiança"

DGS admite erro nos infetados do Porto

Sobre a incorreção na contagem de casos a nível de concelhos o subdiretor-geral da Saúde, Diogo Cruz, confirmou o que já hoje tinha sido avançado pelo JN. "Houve duplicação de valores nos números de ontem", já corrigidos, explicou. Assim, o Porto desce de 941 para 462, só atrás de Lisboa, que passa a ser o concelho com mais casos (505). Atualizados foram também os concelhos de Gaia (344, menos seis que ontem), Maia (293, menos 20) e Matosinhos (273, menos 22).

Os números até agora divulgados baseavam-se em dados reportados pelas administrações regionais de saúde e pela plataforma Sinave (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), onde médicos inserem a informação sobre os doentes. A partir de de hoje, serão utilizados apenas os dados do Sinave, deixando de ser tidos em conta os dados reportados pelas autarquias. A alteração pode levar a que sejam reportados apenas 70% a 75% do total de casos no país.

"Vamos ter sempre um atraso a reportar os recuperados"

Quanto ao facto de continuar a haver apenas 43 casos de infetados dados como curados, Diogo Cruz, que hoje substituiu Graça Freitas na conferência de imprensa, explicou que os doentes não podem ser dados como curados mal deixam de ter sintomas. "Sabemos que este vírus permanece na orofaringe dos pacientes durante muito tempo, mesmo depois de já estarem completamente assintomáticos. Temos report [relatos] de muitas pessoas em casa sem qualquer sintoma - do ponto de vista clínico estão bem bem -, mas que não estamos a considerar recuperadas porque, até termos dois exames negativos com espaço de 24 horas, elas continuarão em isolamento no domicilio e sem poder andar a circular."

Um paciente está infetado, em média, durante 14 dias mas há relatos de 21 ou 28. Por isso, depois de terem alta hospitalar, os doentes fazem o primeiro e segundo teste em casa. "Só estamos a considerar recuperados quando têm o segundo teste negativo feito em casa. (...) Quer isto dizer que vamos ter sempre um atraso a reportar os recuperados."

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