Despiste

Norte espera duas semanas para fazer testes à Covid-19

Norte espera duas semanas para fazer testes à Covid-19

Autarcas do Norte falam de milhares de casos e cidadãos confirmam dificuldades. Laboratórios negam atrasos.

A falta de materiais e equipamentos está a travar a realização de milhares de testes à Covid-19, com credencial passada pelo Serviço Nacional de Saúde. Na Área Metropolitana do Porto, muitos esperam duas semanas pela análise, assegura Marco Martins, presidente da Câmara de Gondomar e da Comissão Distrital de Proteção Civil do Porto.

A escassez alarga-se ao resto do Norte, onde vive mais de metade dos doentes com Covid-19. Em Vila Real, o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil, Fernando Queiroga, insistiu no apelo a que sejam testados os idosos e trabalhadores de lares. "As instituições estão com o coração nas mãos", disse à Lusa. O autarca de Santa Maria da Feira, Emídio Sousa, repete a queixa: há 875 pessoas a precisar de testes urgentes.

As histórias de cidadãos que chegam ao JN confirmam os atrasos. Com requisição do Serviço Nacional de Saúde na mão, Nuno Fernandes tentou agendar um teste durante duas semanas, através dos contactos da Direção-Geral de Saúde (DGS). Sem saber se está infetado, continua em isolamento, no Porto, mas já desistiu de tentar marcar.

Em Braga, Maria Matos conta que não conseguiu agendar um teste na cidade em que vive, mas encontrou um hospital privado em Mirandela que atenderá a família, no dia 14. O marido contraiu a Covid-19 e esteve internado até dia 1 de abril (ler ao lado).

Na conferência de imprensa diária, ontem, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, admitiu "algumas dificuldades nos reagentes de extração", um dos materiais utilizados nos testes. Um problema que "estamos a tentar resolver".

fazer a "gestão possível"

Durante a tarde de ontem, o JN ligou para vários contactos da lista da DGS, atualizada na terça-feira. O número da Synlab não está atribuído; da Germano de Sousa, uma gravação indicando um email para o qual a pessoas deve enviar a credencial e toda a informação de contacto; e da Unilabs/ /Carlos Torres, o call center pede para se voltar a contactar no final da semana, dizendo ter as marcações fechadas.

"Estamos a rebentar pelas costuras" e "não se consegue dar vazão a tudo", disse Germano de Sousa, dono de um dos principais laboratórios do país. Está a fazer 2200 testes por dia, mas espera duplicar a capacidade em meados da próxima semana, quando receber mais máquinas e reagentes, sobretudo equipamento para extrair o vírus da célula. "Estamos a trabalhar 24 horas por dia, não é má vontade", garante.

Sobre a data para qual está a marcar testes, o diretor da Germano de Sousa para Porto, Viseu e Coimbra garantiu que o prazo é de 48 horas. Manuel Magalhães fala da "gestão possível" dos "milhares de chamadas e e-mails" recebidos por dia. E o cenário muda consoante a região. Nos locais onde vive mais gente, o prazo "pode ter tendência a dilatar". E existem flutuações diárias, causadas por exemplo pelo aparecimento de um foco.

Da parte da Unilabs, de Luís Menezes, fonte oficial da empresa assegurou que todos os dias abrem novos períodos de agendamento, mas "não chega para fazer face ao aumento exponencial da procura". E salientou que, mesmo quando os agendamentos estão fechados, o call center continua a receber as chamadas de quem o contacta.

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