Morte

Padres celebram missas de funerais dentro das igrejas à revelia da DGS

Padres celebram missas de funerais dentro das igrejas à revelia da DGS

Normas variam de acordo com o concelho. Há muitas dúvidas, infrações e falta fiscalização. Funerárias pedem maior definição das diretrizes, mas DGS ainda não emitiu orientação final.

As missas encontram-se proibidas, em locais fechados, até ao dia 30 deste mês, mas estão a ser celebradas no âmbito de funerais um pouco por todo o país. Por outro lado, realizam-se cerimónias fúnebres em cemitérios com número muito diverso de pessoas, o que está a causar muitas dúvidas aos agentes funerários. A Direção-Geral da Saúde está há mais de uma semana a finalizar as orientações. Até lá, paróquias e autarquias - estas responsáveis pelos cemitérios -, fazem as regras à sua maneira.

Em dezenas de casos, do Norte ao Sul do país, há funerais em que o padre permite que o corpo saia da capela para a igreja, onde se realiza uma cerimónia religiosa antes de o corpo ir para o cemitério. Em Serzedo, Guimarães, foi assim que aconteceu num funeral esta semana, sem que ninguém o impedisse. O padre celebrou uma cerimónia no dia do funeral e está agendada uma missa de sétimo dia para a próxima semana, antes de 30 de maio, que é a data prevista para o regresso das cerimónias religiosas no país.

Em Beduído e Veiros, no concelho de Estarreja, os párocos fazem uma pequena celebração na igreja, na presença apenas dos familiares diretos. "É o chamado "encomendar" o corpo", explicou ao JN José António Marques, presidente da Junta de Freguesia, que garante ser "tudo feito com rigor e sem ajuntamentos", pois "a igreja é grande".

"Depende do padre e sempre dependeu", refere Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas, que garante ter visto "um padre que procede de uma forma numa freguesia e, ao lado, procede de outra forma". Mas não é só na Igreja que as regras variam de acordo com o território.

Para os cemitérios, a declaração do estado de calamidade prevê que sejam as autarquias a definir "um limite máximo de pessoas", salvaguardando a presença do "cônjuge ou unido de facto, ascendentes, descendentes, parentes ou afins".

amigos e afins?

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Ora, aqui também surge a dúvida sobre quem são os "afins". Os amigos, por exemplo, podem estar presentes? Ninguém sabe. Há câmaras que limitam o número de pessoas por cemitério, mas se a família for grande ou se os "afins" forem muitos, a orientação da DGS e a limitação da câmara colidem. Carlos Almeida refere que faltou "uma orientação cabal e inequívoca da autoridade de saúde".

Angelino Salazar, agente funerário de Guimarães, salienta que "é preciso definir, de uma forma mais criteriosa e rigorosa, as regras e, ao mesmo tempo, articular com todas as autoridades, dos cemitérios às autoridades religiosas e as entidades do setor".

Contactada pelo JN, a DGS informou estar a finalizar uma orientação que dissipe dúvidas. No entanto, a 13 de maio, Graça Freitas já tinha dito que o documento estava "em fase final". Além disso, sempre que uma família não respeita os limites impostos, a quem cabe fiscalizar? Os agentes funerários descartam-se e dizem que lhes compete apenas informar.

"Não sou eu que vou fiscalizar esse cumprimento. Limitar ou pôr uma imposição a uma pessoa debilitada é pormo-nos a jeito", explica Vítor Teixeira, presidente da Associação dos Agentes Funerários de Portugal. O responsável admite que o termo "afins" está indefinido e que "tanto podem ser 15 como 50 pessoas", o que faz com que tudo seja permitido.

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