Mensagem de Ano Novo

Discurso de Marcelo: PCP fala em "evidências", Chega considera que "falhou"

Discurso de Marcelo: PCP fala em "evidências", Chega considera que "falhou"

As palavras do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, são "evidências" para o Partido Comunista, defendeu o deputado e membro do comité central António Filipe, para quem são precisas soluções concretas para os problemas da vida das pessoas.

Em conferência de imprensa, minutos depois da mensagem de Ano Novo do Presidente da República, o deputado António Filipe disse que o Partido Comunista Português (PCP) registava "a preocupação relativamente ao que deve acontecer e deve ser feito no ano de 2022 e também que os fundos que estarão disponíveis deverão ser usados para a resolução dos problemas concretos das pessoas".

"Aquilo que o senhor Presidente da República diz são para nós evidências, de que é importante que o ano de 2022 dê um passo para que os problemas concretos das pessoas sejam resolvidos", apontou António Filipe.

Segundo o deputado comunista, os problemas concretos "têm que ver com aquilo que as pessoas sentem no seu dia-a-dia", desde os baixos salários, o acesso à habitação, condições de acesso a cuidados de saúde, que apontou como "questões fundamentais".

Na sua habitual mensagem de Ano Novo, proferida no Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa fez referência às próximas eleições legislativas, para que a próxima Assembleia da República "dê voz ao pluralismo de opiniões e de soluções", mas falou também do combate à corrupção, chamou a atenção para os fundos europeus "que serão irrepetíveis" e para a necessidade de combater a pobreza e olhar para as crianças e os mais idosos, defendendo que é preciso "virar a página".

CDS-PP considera eleições oportunidade para virar a página

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O CDS-PP acompanhou "na generalidade" a mensagem de Ano Novo do Presidente da República e defendeu que as eleições legislativas de dia 30 podem constituir uma oportunidade para Portugal "virar de página" com a "direita certa". "O CDS acompanha na generalidade a mensagem de Ano Novo do senhor Presidente da República", afirmou Martim Borges de Freitas, presidente da mesa do Congresso do CDS, num vídeo enviado às redações.

O também cabeça de lista do partido por Aveiro considerou que as eleições legislativas "podem na verdade significar um virar de página porque as pessoas são de facto mais livres para poder votar", sustentando que "o voto útil em Portugal deixou de existir" porque desde 2015 "não é necessária a maioria de um só partido para governar, como nem sequer é necessária a vitória de um partido para que seja indicado o primeiro-ministro".

Apontando que "a esquerda esgotou todas as suas possibilidades ao ponto de terem de ser convocadas eleições antecipadas", o dirigente defendeu que "à direita há um partido que torna a mudança possível", sustentando que "o CDS é um partido cujos valores são inquestionáveis, é um partido que se apresentará com propostas concretas e é um partido que é confiável". "É, portanto, a direita certa. Essa direita certa pode significar a mudança, pode significar o virar de página", salientou.

No que toca à pandemia, um dos assuntos mais realçados pelo Presidente da República na sua tradicional mensagem no arranque de um novo novo, o CDS-PP aproveitou para criticar a gestão do Governo, apontando que "não é com gestão do medo que se resolvem os problemas do país, o primeiro dos quais a recuperação económica e o crescimento económico".

"Quando o senhor Presidente da República fala nos fundos que estão postos à disposição de Portugal e dos portugueses, isso tem de significar crescimento acima da média da União Europeia, isso tem de significar crescimento de Portugal face aos outros países com os quais compete diretamente. E é por isso que a aplicação desses fundos comunitários tem que ser muitíssimo rigorosa", apontou ainda o candidato a deputado.

PAN lamenta ausência de palavras sobre voto dos confinados

O PAN saudou o Presidente da República por referir, na sua mensagem de Ano Novo, o desafio climático, mas gostava de ter ouvido Marcelo Rebelo de Sousa abordar o voto de quem estiver confinado devido à doença covid-19. "A este tempo ainda não sabemos o que o Governo está a antecipar relativamente ao ato eleitoral para que esteja assegurado o direito ao voto de todas as pessoas, em particular aquelas que vão estar em isolamento ou doentes por força da covid-19, entre outras doenças. E não ouvimos uma palavra do senhor Presidente relativamente a este grande desafio para a democracia", afirmou a porta-voz do PAN num vídeo enviado às redações no sábado à noite. Inês Sousa Real saudou "o reconhecimento por parte do senhor Presidente da República do desafio climático", mas defendeu que é preciso "ir mais longe" e "mudar o paradigma".

A líder do PAN espera que das palavras do Presidente da República "se possa retirar também um compromisso" de que o regresso à normalidade em Portugal "não seja voltar a mais do mesmo". Inês Sousa Real considerou também que a pandemia de covid-19 demonstrou que "a saúde do planeta e a saúde humana são uma só", pedindo uma valorização do meio ambiente, mas também dos profissionais de saúde "que tanto deram nesta pandemia". "Esperamos que este ano seja um ano de mudança, mas uma mudança pela positiva", afirmou.

A líder do PAN apontou também que "este é um momento único para o país" e defendeu que "cada cêntimo" dos fundos comunitários "tem de ir para combater a crise socioeconómica, para diminuir o fosso das assimetrias sociais e regionais que persistem" e para combater as discriminações. E o dinheiro deve ser empregue "com transparência e combatendo os fenómenos da corrupção", salientou.

O PAN indicou também que o discurso do chefe de Estado "fica pautado por aquele que é um reconhecimento de uma pluralidade que irá necessariamente marcar a próxima legislatura", mas reiterou que uma crise política juntamente com uma crise sanitária "periga a democracia".

IL diz que "é, de facto, hora de virar a página"

O presidente da Iniciativa Liberal (IL) defendeu que "é de facto hora de virar a página" na gestão da pandemia e no modelo de desenvolvimento de Portugal e considerou que as eleições legislativas constituem essa oportunidade.

Numa reação à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, através de um vídeo enviado às redações, João Cotrim Figueiredo saudou o mote escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa.

"É de facto hora de virar a página. Virar a página na gestão da pandemia, e atenção já para o dia 30 de janeiro em que temos oportunidade de mudar as coisas, que essa oportunidade não seja perdida para muitos daqueles que vão estar em confinamento ou isolamento - é preciso tratar dessa questão -, mas também virar a página no modelo de desenvolvimento de Portugal, nas políticas que são aplicadas em Portugal e que não podem continuar a produzir mau emprego, poucas oportunidades, salários baixos", defendeu.

O líder da IL apontou que "essa oportunidade de virar a página virá já no dia 30 de janeiro, podendo votar em opções verdadeiramente liberais". João Cotrim Figueiredo considerou que a mensagem deste ano "não se tratou do melhor discurso, da intervenção mais empolgante do senhor Presidente, mas teve pelo menos duas virtudes".

"A primeira foi tornar claro aquilo que nos últimos dias já era evidente para todos, que o senhor Presidente tem divergências com o Governo relativamente à abordagem da pandemia e esta excessiva dramatização que o Governo do PS parece querer imprimir a esta questão, quem sabe se por interesses eleitorais, mas certamente com prejuízo da vida social e económica de todos nós", afirmou.

O presidente e deputado único da IL assinalou igualmente que "não parece haver alinhamento entre o senhor Presidente da República e aquela que tem sido a abordagem do Governo do PS nestes últimos seis anos, certamente, relativamente ao modelo de desenvolvimento do país".

Discurso "falhou no essencial"

O líder do Chega considerou que a mensagem de Ano Novo do Presidente da República "falhou no essencial", criticando-o por não ter identificado os responsáveis pela crise política e por ter-se focado demasiado na pandemia. Numa declaração vídeo, André Ventura defendeu que, apesar de Marcelo Rebelo de Sousa ter procurado "transmitir aos portugueses alguma confiança, continuou a falhar no essencial".

"O Presidente da República, consciente que vamos entrar num novo ciclo político imprevisível, foi incapaz, na nossa perspetiva, de identificar os verdadeiros responsáveis pela crise que estamos a viver: o PS e a extrema-esquerda, que não conseguiram fazer aprovar o Orçamento do Estado e resolver a situação económica e política do país", indicou.

O presidente do Chega considerou também que, ainda que o chefe de Estado tenha sido "capaz de transmitir aos portugueses a força que é preciso para os desafios" que vão ter de ser ultrapassados, deu a impressão de que o país "vive fechado única e exclusivamente à volta da pandemia". "Portugal tem hoje muitos problemas para além da situação da evolução do covid e da evolução da pandemia", afirmou, elencando questões como "as falências consecutivas, a falta de apoio aos negócios, aos comércios, aos empresários" ou a "destruição progressiva de empregos".

Segundo André Ventura, "tudo isto ficou fora dos pontos centrais" do discurso do Presidente da República. "Isso é uma carência que não deveria ter acontecido. Marcelo Rebelo de Sousa é, ou deve ser, o representante máximo de Portugal e, neste momento, Portugal tem muitas outras preocupações, muitas outras ansiedades, que não a mera questão do covid, e isso também falhou no discurso do Presidente da República", afirmou.

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