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Peritos sugerem menos medidas e mais responsabilidade no "fim da fase pandémica"

Peritos sugerem menos medidas e mais responsabilidade no "fim da fase pandémica"

Os especialistas em Saúde sugeriram aos políticos, esta quinta-feira, no Infarmed, uma transição entre "o regime de obrigatoriedade das medidas para a responsabilidade civilizacional", num momento em que o país se aproxima da meta dos 85% com vacinação completa e está "claramente no fim de uma fase pandémica".

"Estamos claramente no fim de uma fase pandémica"

A abrir a reunião no Infarmed, Pedro Pinto Leite, chefe de divisão de Epidemiologia e Estatística da DGS, afirmou que "a pandemia teve quatro grandes ondas, ou picos", e que agora o país está "claramente no fim de uma fase pandémica". Quanto à incidência, a tendência de diminuição "é registada em todas as regiões".

"A diminuição da incidência é acompanhada da diminução da positividade, o que é importante, porque mostra que há menos vírus em circulação e menos casos confirmados", acrescentou o especialista.

Pedro Pinto Leita revelou ainda que por cada cinco casos de covid-19 em enfermaria, quatro não tinham o esquema vacinal completo. Em relação aos UCI, em cada 15 casos, 14 não tinham o esquema vacinal completo. O especialista reforçou que a "vacinação é um sucesso e termina uma fase da pandemia", mas alertou que "a próxima fase traz alguns desafios, entre os quais as baixas temperaturas e outros vírus respiratórios em circulação".

"Países com maior vacinação têm R(t) mais baixo"

Baltazar Nunes, responsável pela Unidade de Investigação Epidemiológica do Instituto Ricardo Jorge, indicou que atualmente o "R(t) é estimado em 0,84 no país e 0,8 em todas as regiões do continente".

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O especialista notou ainda que os países com maior cobertura vacinal têm o R(t) abaixo de 1 e os países com menor cobertural vacinal têm o R(t) acima de 1. Baltazar Nunes referiu que foram analisados três possíveis cenários da evolução da situação pandémica, com dois momentos-chave de aumento de transmissibilidade: o retorno às escolas e ao trabalho, porque no ano passado houve um aumento do R(t) nesta altura, e o outro momento é a época do Natal.

No primeiro cenário, em que não haja redução da efetivadade, Portugal vai manter-se abaixo das linhas vermelhas. Porém, no cenário 2 e 3, se houver redução da efetividade num ou três anos (respetivamente), o país poderá estar acima das linhas vermelhas na primeira quinzena de janeiro.

Pedido para vacinação de maiores de cinco anos até ao fim do ano

Fátima Ventura, diretora da Unidade de Avaliação Ciêntifica no Infarmed, afirmou que "continuam a ser desenvolvidas muitas vacinas" e que "há 30 vacinas em fase 3 e oito delas em fase 4, o que significa que já foram aprovadas".

A especialista disse que "ainda não foi submetida uma extensão da vacinação para menores de 12 anos", mas prevê-se que "até ao final do ano" seja submetido um pedido para que os maiores de cinco anos sejam elegíveis para vacinação.

Variante Delta com prevalência de 98% a 100% há oito semanas consecutivas

João Paulo Gomes, investigador do Instituto Ricardo Jorge, apontou que a variante Delta "dominou completamente a partir de meio de maio e que mais de 98% dos casos em Portugal são provocados por ela. "Estamos com praticamente 100% de prevalência desta variante em todas as regiões do país".

Segundo o especialista, nos países com baixa taxa de vacinação, há menos imunidade, por isso, há mais vírus em circulação e, consequentemente, maior risco de haver mutações que criam as novas variantes.

"Maior vigilância" e "rastreio à entrada" dos locais com testes

Henrique Barros, epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), defendeu que a primeira grande decisão a tomar "é fazer uma maior vigilância às pessoas assintomáticas, às águas residuais e às superfícies", e um maior rastreio "à entrada" dos diferentes locais, atividades e eventos.

O especialista apontou que foram feitos "muitos mais testes em 2021 do que num período semelhante no ano anterior", justificando essa diferença com o facto de este ano ter havido uma maior mobilidade das pessoas e mais circunstâncias que proporcionavam a infeção.

Saúde mental dos jovens entre as maiores preocupações

Carla Nunes, professora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), falou acerca das perceções sociais sobre a covid-19. "Os mais novos desde maio que se destacam das outras classes etárias, com uma tendência crescente", em relação à frequência com que se sentem agitados, ansiosos, em baixo ou tristes devido às medidas da pandemia.

A especialista notou ainda que 26% dos inquiridos acham que as medidas implementadas pelo Governo no combate à covid-19 são pouco ou nada adequadas.

Passar do "regime de obrigatoriedade para a responsabilidade civilizacional"

Por sua vez, Raquel Duarte, médica pneumologista no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, recomendou a promoção da testagem voluntária e gratuita e a manutenção do dever de apresentação do certificado digital em circunstâncias de maior risco.

Para a especialista, os idosos são um grupo prioritário para a terceira dose da vacina.

A monitorização da ventilação dos espaços fechados, a autoavaliação de risco e a utilização de medidas individuais e organizacionais (como os testes e apresentação de certificado digital) são medidas que devem estar sempre em vigor, segundo a pneumologista.

A proposta de plano dos especialistas centra-se numa "transição entre o regime de obrigatoriedade das medidas para a responsabilidade civilizacional".

Chegar aos 85% de vacinação completa no fim de setembro

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task-force do plano de vacinação contra a covid-19, afirmou que já se atingiram "os 86% das primeiras doses e os 81,5% de vacinação completa".

O responsável pela vacinação voltou a frisar que "a primeira batalha está ganha" e que espera "atingir os 85% de vacinação completa no fim de setembro, quanto muito na primeira semana de outubro". "Vai haver proteção de grupo - e eventualmente imunidade de grupo - quando atingirmos os 85% ou 86%, que são notícias bastante positivas", afirmou o coordenador.

Gouveia e Melo acrescentou que já foram vacinados "quase 600 mil jovens, 85,6% desta faixa etária" e "cerca de 56% de segundas doses".

O vice-almirante revelou também que estão ligeiramente atrasadas as regiões do Algarve, da Madeira e dos Açores e que o plano de vacinação poderá prolongar-se até março de 2022 se for administrada a terceira dose a maiores de 65 anos.

Reveja aqui o vídeo da reunião e o nosso minuto a minuto:

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