Covid-19

Pobres aguentam um mês de gastos e ricos um ano

Pobres aguentam um mês de gastos e ricos um ano

Os portugueses mais pobres só vão aguentar um mês de despesas normais se o atual contexto de pandemia continuar, ao passo que as famílias mais ricas conseguem aguentar um ano, diz o Banco de Portugal (BdP) num estudo novo, divulgado na quarta-feira.

A Comissão Europeia (CE) também falou ontem para confirmar que a recessão portuguesa pode chegar a quase 7% este ano e o desemprego a perto de 10% da população ativa.

As previsões da primavera deixam o aviso, embora a economia de Portugal nem seja das mais destruídas pelo vírus. A descolagem pode ser lenta e dolorosa porque o país depende muito ou demasiado do turismo estrangeiro, um setor muito intensivo em emprego.

O banco central considera que a capacidade das famílias pagarem as despesas com base no rendimento é "muito heterogénea. Antes da pandemia, o valor médio do rendimento deduzido de despesas é de 610€ no conjunto das famílias", ou seja, era o que em média sobrava no final do mês depois de todas as contas saldadas.

"Este valor varia consideravelmente com o rendimento das famílias, situando-se em média num valor negativo de 86€ no grupo de 20% de famílias com rendimento mais baixo, e em 2788€ no grupo de 10% de famílias com rendimento mais elevado".

Dito de outra forma, as camadas mais pobres, gastam tudo e ainda ficam a dever ou têm de pedir emprestado 86€, em média. Aos mais ricos, sobra-lhes 2788€ no fim do mês.

No entanto, o BdP fez o mesmo exercício mas com as moratórias das prestações devidas aos bancos e das rendas, que são o encargo mais pesado para os mais pobres. Mesmo com a ativacão das moratórias, o rendimento final, já depois de tudo pago, continua a sofrer um corte. Em média, pode chegar a 8%. Mas o BdP admite que "em geral, as moratórias têm um impacto particularmente favorável nas famílias de menor rendimento e nas famílias mais jovens".

Como sair do buraco

Muitas das pessoas que ficaram, de um dia para o outro sem trabalho, estavam no setor do turismo ou em alguma atividade conexa. Tudo parou. Milhares engrossam agora as fileiras do desemprego ou do lay-off.

"O turismo tem de sobreviver ao próximo verão em Portugal, estamos a trabalhar nisso", declarou ontem o comissário da Economia, Paolo Gentiloni.

A CE está a tentar chegar a um acordo com os 27 países da União para desenhar um fundo de recuperação no valor de 1 bilião de euros ou mais, para ver se a economia sai deste buraco. Ao lado da CE, está o BCE que tem um programa de compra de dívida de 750 mil milhões de euros e que ficará ativo até que a pandemia acabe.

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