Autárquicas 2021

Porto perdeu qualidade de vida durante a liderança de Moreira, acusam opositores

Porto perdeu qualidade de vida durante a liderança de Moreira, acusam opositores

Seis dos 11 candidatos à Câmara do Porto defenderam que a cidade perdeu "qualidade de vida" e "identidade" durante a liderança de Rui Moreira, num debate em que o independente admitiu que o Porto "tem dores de crescimento".

Num debate que juntou sete dos 11 candidatos à presidência da Câmara Municipal do Porto às eleições autárquicas de 26 de setembro, a qualidade de vida e identidade foram dois dos temas em destaque que levaram o atual presidente da autarquia e candidato independente Rui Moreira a afirmar que a cidade "tem dores de crescimento".

"A cidade tem naturalmente dores de crescimento. Todas as cidades como o Porto têm dores de crescimento. O Porto em termos económicos cresceu e isso cria naturalmente um conjunto de dificuldades", afirmou o independente, que se recandidata a um terceiro mandato.

Defendendo que ao longo da sua liderança foi dada "qualidade de vida aos portuenses", Rui Moreira salientou que, quando iniciou o primeiro mandato, se empenhou em projetar internacionalmente a cidade, dando "continuidade ao que vinha a ser feito na área do turismo", através da atração de investimento.

Já o candidato socialista Tiago Barbosa Ribeiro defendeu que os portuenses "não têm qualidade de vida" e que tal se reflete "na variação do poder de compra entre 2013 e 2017".

"Vemos que a cidade do Porto ao longo dos últimos anos tem vindo a perder poder de compra, tem vindo a perder qualidade de vida", afirmou, rejeitando atribuir responsabilidade aos vereadores socialistas com o pelouro da habitação e do urbanismo durante o primeiro mandato de Rui Moreira na Câmara do Porto.

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Num debate em que a especulação imobiliária e o turismo foram atribuídos como os principais fatores para a "perda de identidade" do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro disse ter existido "um excesso e ausência de políticas públicas" nesta matéria, considerando que faltaram "dinâmicas de contenção do turismo" e apelando a Rui Moreira para ter um discurso "consentâneo com a realidade".

Também o candidato social-democrata Vladimiro Feliz afirmou que a cidade está um "caos", dando e lembrou que "o Porto já era o melhor destino europeu" quando o PSD saiu da autarquia, em 2013.

Apelando ao independente Rui Moreira para ser "mais coerente" nas suas afirmações, Vladimiro Feliz disse ser necessário "regular" o setor, recusando a ideia de o "proibir".

"O turismo não é excessivo no Porto, a pegada turística é que está muito presente no centro e na zona da ribeira", afirmou.

Por sua vez, Ilda Figueiredo, candidata da CDU, afirmou existir "uma população a viver com imensas carências" na cidade, atribuindo responsabilidades tanto à administração central, "que não investiu o que era preciso", como à maioria liderada por Rui Moreira, que não criou na cidade "uma política de contenção e regulamentação" dos alojamentos turísticos.

"O porto não são apenas números, são as pessoas e a grande perda da cidade são as pessoas porque não quiseram por a tempo o mecanismo de contenção do alojamento local, não quiseram planear o turismo, nem criar programas alternativos que permitissem que as pessoas se distribuíssem pela cidade", afirmou.

Ilda Figueiredo salientou ainda que a especulação imobiliária está a "voltar" e que tal tem "repercussões sérias" na medida em que está a ser "adquirido o património da cidade", critica partilhada por Sérgio Aires, candidato pelo Bloco de Esquerda, que afirmou que "esse é o problema do modelo e paradigma económico seguido e aprofundado pelo executivo de Rui Moreira".

"Este modelo económico, que se passa em muitos sítios e que é uma opção clara de monocultura do turismo e aqui no Porto tem uma agravante, esta opção quase exclusiva de uma indústria que vive de uma forma de estar que gere uma precariedade", afirmou, dizendo-se ainda preocupado com a descaracterização do Porto.

Já a candidata do PAN, Bebiana Cunha acusou o executivo de não ter desenhado "um plano estratégico" para o setor e defendeu a necessidade de se construir uma "estratégia" para o turismo no Porto.

"O problema não é o turismo, o problema é o modelo que optamos. A riqueza que é criada na cidade, não fica na cidade", disse, acrescentando que "não foi feito um esforço para conter" a criação de novos alojamentos turísticos.

Pelo Chega, António Fonseca afirmou ser necessário "repovoar" e "rejuvenescer" a cidade, considerando que a mesma "está a ficar uma instância turística".

"Precisamos de pessoas a viver no centro histórico", disse, lembrando que o turismo é "bem-vindo", mas que os turistas "não chegam para ver turistas, mas sim a população".

Questionado sobre a eventualidade do Porto correr o risco de perder o estatuto de Património da Humanidade, Rui Moreira disse ter "muita confiança" nos projetos aprovados pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

"Se a condição para sermos Património Mundial era estarmos como estávamos em 2005, mais vale estarmos como estamos hoje", afirmou, defendendo que "a cidade não está descaracterizada".

Concorrem à Câmara do Porto, Rui Moreira (movimento independente "Rui Moreira: Aqui há Porto"), Tiago Barbosa Ribeiro (PS), Vladimiro feliz (PSD), Ilda Figueiredo (CDU), Sérgio Aires (BE), Bebiana Cunha (PAN), António Fonseca (Chega), Diogo Araújo Dantas (PPM), André Eira (Volt Portugal), Bruno Rebelo (Ergue-te), Diamantino Raposinho (Livre).

A Câmara do Porto é liderada por Rui Moreira, cujo movimento elegeu sete mandatos nas autárquicas de 2017, aos quais se somam quatro eleitos do PS, um do PSD e um da CDU.

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