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Portugueses castigam Costa e os seus ministros

Portugueses castigam Costa e os seus ministros

Confusão do aeroporto, fecho de urgências e inflação fazem mossa em Pedro Nuno Santos, Marta Temido e Fernando Medina. Têm avaliação negativa e arrastam o primeiro-ministro.

Inflação, urgências e aeroporto. Três crises que se revelaram desastrosas para a avaliação política de António Costa e de alguns dos seus principais ministros. Três meses depois da tomada de posse de um Governo socialista com maioria absoluta, os portugueses dão-lhe nota negativa, de acordo com a sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF. Acresce que uma clara maioria de inquiridos (52%), incluindo os eleitores do PS (49%), entendem que Pedro Nuno Santos já não devia ser ministro.

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Não é inédito, mas é raro: António Costa passou de um saldo positivo de 26 pontos em abril (48% de avaliações positivas e 22% de negativas), para um saldo negativo de dois pontos em julho (38% de negativas, 36% de positivas). É apenas a segunda vez, nesta série de barómetros da Aximage, que o primeiro-ministro entra em terreno pantanoso (a primeira foi em outubro passado, com o chumbo do Orçamento, a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições).

Em voo picado

As explicações para a derrapagem de Costa podem ser encontradas na avaliação aos seus ministros: Pedro Nuno Santos antes de todos. A trapalhada do novo aeroporto de Lisboa trouxe uma pesada fatura política, com o ministro das Infraestruturas a passar de um saldo positivo de dois pontos (em abril), para 32 pontos negativos (em julho). A sua avaliação é má mesmo entre os dois segmentos que ajudam a evitar a queda de Costa no abismo: os que têm 65 ou mais anos (65% de negativas) e os socialistas (50% de chumbos).

Não está em causa a necessidade de um novo aeroporto para Lisboa (64% concordam), mas a forma como o processo foi gerido. Recorde-se que o ministro publicou um despacho em que se avançava com o Montijo e Alcochete na mira, para o primeiro-ministro o revogar no dia seguinte. Ficaram ambos mal na fotografia: 57% defendem que "nenhum dos dois andou bem, nem teve toda a razão". Quanto a Pedro Nuno Santos, 52% dizem que já não devia ser ministro, ou porque devia ter apresentado a demissão (27%) ou porque devia ter sido demitido (25%). Eleitores socialistas incluídos.

Saúde precária

Antes da novela do aeroporto, o país viveu um mês de sobressaltos nas urgências, com fechos sucessivos, um pouco por todo o país, por causa da falta de médicos especialistas. Com destaque para obstetrícia e pediatria, ou seja, com o risco de falhas na proteção da saúde das grávidas e dos seus bebés. António Costa também terá sido chamuscado por este longo distúrbio, mas os efeitos são mais evidentes na avaliação à ministra da Saúde.

Marta Temido passou de ministra mais popular deste Governo (mais ainda do que o próprio primeiro-ministro), em abril, para terreno negativo em julho: ou seja, de um saldo positivo de 30 pontos, para um saldo negativo de cinco pontos. Não é o membro do Governo que tem pior avaliação (já lá vamos), mas é quem dá o maior trambolhão. Ainda que haja segmentos da população em que sobrevive com avaliação positiva: nas áreas metropolitanas, nos mais velhos e nas duas classes de menores rendimentos (tal qual António Costa). E tem crédito para dar e vender entre socialistas (saldo positivo de 45 pontos) e no conjunto da Esquerda (castigo, só à Direita).

Rombo nas Finanças

A cada mês que passa, sobe a taxa de inflação (em junho, chegou aos 8,7%). O que significa, trocando por miúdos, que é cada vez mais difícil encher o depósito do carro (os que o têm) e que a conta do supermercado vai ficando mais alta (para alguns, insuportável, ao ponto de deixarem de comprar determinados produtos que faziam parte do cabaz habitual). E quanto maior o custo de vida, pior a avaliação do ministro das Finanças, que nesta matéria não tem rival.

Fernando Medina já se tinha estreado nestes barómetros, em abril, com a pior avaliação entre um grupo de cinco ministros (cinco pontos de saldo negativo). Três meses depois, afunda-se: 12 pontos de saldo negativo. A sua situação política só não é pior porque ainda consegue o beneplácito de dois segmentos da população que também amparam um pouco a queda de Costa (e de Temido): os mais velhos (13 pontos de saldo positivo) e o eleitorado do PS (36 pontos de saldo positivo).

Mariana no topo

A número dois do Governo não tem pastas polémicas (até ver) e passa incólume na vaga de avaliações negativas ao Governo. A ministra da Presidência é a única em terreno positivo (saldo de 14 pontos).

Carneiro positivo

O tempo dirá se continuará com saldo positivo (o trabalho de campo da sondagem decorreu antes da época de incêndios). O ministro da Administração Interna está melhor nos mesmos segmentos que ainda apoiam Costa.

Presidente mantém saldo muito positivo na avaliação, com um empurrão decisivo entre as mulheres.

O presidente da República continua a ser o político mais popular em Portugal. Mesmo que tenha sofrido uma queda este mês, ainda acumula um saldo positivo de 34 pontos percentuais (tinham sido 46 no barómetro de abril), com um empurrão decisivo das mulheres (consegue, entre elas, um saldo de 43 pontos).

Não há no barómetro perguntas que ajudem a identificar, com clareza, a razão para esta quebra de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas há indícios de que esteja relacionado, pelo menos em parte, com o mau momento do Governo. Ou pelo menos com a degradação do ambiente político no país.

Os 34 pontos de saldo positivo são uma exceção no ecossistema político nacional, mas, na verdade, é o pior resultado do presidente deste que se iniciou esta vaga de barómetros da Aximage (em julho de 2020). E há mais uma coincidência que parece unir o seu destino ao de Costa: é um resultado igual ao de outubro passado, quando o líder socialista foi castigado pela crise que levou a eleições antecipadas.

Para além das mulheres, o presidente tem avaliações muito acima da média na Área Metropolitana de Lisboa (saldo positivo de 46 pontos) e entre os mais velhos (64% de avaliações positivas). Se a análise se centrar nos segmentos partidários, o principal pilar voltam a ser os eleitores socialistas (saldo de 65 pontos) e a uma grande distância dos que preferem votar nos sociais-democratas (saldo positivo de 37 pontos). Marcelo só tem saldo negativo entre o Chega e os liberais.

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