Educação

Professores acusam ministro de dar "números errados" sobre emprego científico

Professores acusam ministro de dar "números errados" sobre emprego científico

O presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) acusou esta quarta-feira o ministro de ter apresentado "números errados" sobre o emprego científico, garantindo que houve contratos contabilizados duplamente e que centenas de doutorados ficaram de fora.

A denúncia foi feita esta quarta-feira pelo presidente do SNESup, Gonçalo Velho, durante a audição parlamentar na comissão de Educação pedida pelo Bloco de Esquerda para discutir a precariedade no ensino superior e ciência.

"O ministro falhou e apresentou dados com erros quer ao parlamento quer às instituições. Ficou aqui muito claro que os números do ministro Manuel Heitor estão errados", afirmou Gonçalo Velho em declarações à Lusa no final da audição.

O presidente da SNEsup apresentou "várias explicações" para a situação, tal como "as mesmas pessoas serem contabilizadas duas vezes".

Segundo Gonçalo Velho, nos contratos das normas transitórias, as pessoas foram contabilizadas quer nos concursos de docência quer depois como investigadores.

Além disso, continuou, "existem dados que não têm nenhuma adesão à realidade": "Há 400 contratos das unidades de investigação que não existem. O ministro não consegue provar que eles existem, porque não existem", acusou.

Estas situações levaram Gonçalo Velho a concluir que "o Governo falhou com o emprego científico", não tendo conseguido cumprir a meta de contratar cinco mil doutorados na anterior legislatura. "E não foi por pouco", sublinhou.

De acordo com edição de terça-feira do jornal Público, na anterior legislatura foram contratados 4.951 doutorados, deixando a tutela a apenas 49 contratos de cumprir a meta estabelecida pelo ministro.

No entanto, Gonçalo Velho disse esta quarta-feira que "a realidade é muito diferente do que está ali", garantindo que o ministério "falhou por centenas de pessoas e não por dezenas", lembrando que os números apurados são relativos à situação de novembro, já depois de terminada a legislatura.

Outro dos temas abordados durante a audição foi a degradação no ensino superior e, mais uma vez, o SNESup falou em contagens enganosas.

"O ministério contabilizou como professores de carreira professores convidados", acusou Gonçalo Velho, acrescentando que esta é uma tendência que se está a agravar: "Há um crescimento acentuadíssimo da contratação de docentes convidados".

Entre os problemas sentidos por estes profissionais está, por exemplo, o tempo de contrato. Estão a ser celebrados contratos de apenas 10 meses com os professores convidados. Resultado: Acabam por receber menos quatro meses de vencimento por ano, contou.

Além disso, acrescentou o presidente do SNESup, estão a ser "violadas as percentagens de contratação em relação com as horas de trabalho".

Além dos problemas detetados no cenário passado, Gonçalo Velho alerta para a previsão do futuro.

Tendo em conta que o ministério se comprometeu a contratar mais cinco mil pessoas durante o atual mandato, o SNESup lembra que haverá pelo menos o triplo de pessoas interessadas.

"Temos um quadro de 12 mil doutorados na próxima legislatura, ao qual se somam 2 mil pos-doc e 500 investigadores FCT. Serão 15 mil pessoas para uma iniciativa de contratação do Governo de cinco mil contratos".

Para Gonçalo Velho, estes problemas seriam resolvidos com a revisão da carreira de investigação científica e a abertura de concursos claros para a carreira, sabendo-se sempre quando, para que lugares e para que momento da carreira estariam a concorrer.

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