Loulé

Proprietária de lar ilegal detida por suspeita de maus tratos a idosos

Proprietária de lar ilegal detida por suspeita de maus tratos a idosos

A proprietária de um lar ilegal, de 56 anos, foi detida na passada terça-feira pela GNR de Loulé, por ter, alegadamente, agredido seis idosos que ali viviam. O Instituto da Segurança Social (ISS) já tinha mandado encerrar o lar, em maio de 2022, após uma ação de fiscalização conjunta com a GNR. Face ao incumprimento, foi agora remetida ao Ministério Publico uma participação por indícios da prática do crime de desobediência, apurou o JN junto do ISS.

Na casa particular em Loulé, viviam cinco mulheres e um homem. À GNR de Loulé chegaram denúncias que revelavam maus tratos e atos de agressão, como bofetadas, murros, ofensas e castigos violentos, por parte da proprietária.

Depois de ter conhecimento de um vídeo que mostrava a mulher de 56 anos a agredir com um cabo de uma vassoura uma idosa de 76 anos que varria o pátio da casa - dando-lhe também bofetadas enquanto a insultava -, a GNR dirigiu-se até à vivenda e deteve em flagrante a proprietária.

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O JN apurou junto do ISS que "na sequência das participações da GNR sobre os alegados maus tratos à utente, e aquando da detenção da proprietária do lar, a Segurança Segurança procedeu de imediato à retirada dos idosos e ao encerramento urgente do equipamento". Com a ajuda dos Bombeiros de Loulé, todos os idosos foram retirados da casa, tendo sido uns encaminhados para instituições de apoio - resposta disponibilizada pelo ISS -, e outros para casa de familiares.

A proprietária da casa foi entretanto apresentada a um juiz, tendo ficado em liberdade. Fica ainda proibida de exercer funções relacionadas com idosos e de os contactar.

Queixas não são de agora

"A minha avó estava subnutrida, eles só comiam 'nestum'. Estava cheia de fome, suja e sem higiene", recorda, em declarações ao JN, Patrícia Espadilha, que retirou a idosa do lar em novembro de 2021. A família reparou então numa ferida no corpo da mulher de 81 anos e decidiu levá-la ao centro de saúde.

Devido ao seu estado debilitado, a idosa foi internada na unidade de cuidados continuados do Hospital de S. José, em Lisboa, onde acabou por falecer devido à infeção, em dezembro do mesmo ano.

Patrícia Espadilha garante que nem ela nem a família tinham conhecimento de que o lar não era legal. "Pensávamos que estava [licenciado] pela SS. Foi uma situação provisória até conseguirmos encontrar vaga noutro lar", explicou.

"Não conseguíamos ter a minha avó em casa. Os meus tios tentaram ir cuidando dela à vez, mas durante a noite não tinha ninguém", justifica Patrícia Espadilha.

Maus tratos permaneciam no silêncio

Só depois de ser transferida para o hospital é que a avó relatou os maus tratos que os idosos sofriam diariamente. "Contou-me depois que havia vassouradas, murros. Ela tinha marcas roxas na cara. A proprietária dizia que eram quedas", refere Patrícia Espadilha.

Nessa altura, acrescenta, não tinha conhecimento de qualquer queixa por parte dos utentes do lar. "Os senhores tinham medo de falar", desabafa, adiantando que, em seguida, denunciou a situação à Segurança Social e à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Na sequência dessa participação, quatro dos dez idosos que residiam na casa abandonaram o lar ilegal.

"Nos últimos dias, tem sido um reviver do que aconteceu com a minha avó", afirma Patrícia Espadilha, em reação às imagens divulgadas da agressão a outra utente. "É difícil pensar que o mesmo aconteceu com ela. Tem sido um sentimento agridoce porque, por outro lado, fico contente que seja feita justiça", remata.

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